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Internacional

Violência continua no Paquistão: depois de um templo sufi, o alvo foi agora um tribunal

Segurança reforçada à entrada do complexo judicial da cidade paquistanesa de Tangi

© Fayaz Aziz / Reuters

Uma fação dos talibãs paquistaneses reivindicou um ataque, esta terça-feira, contra um complexo judicial no noroeste do país. Os atacantes estavam munidos com coletes suicidas, granadas de mão e espingardas de assalto AK-47

Margarida Mota

Jornalista

Pelo menos seis pessoas morreram esta terça-feira durante um ataque contra um complexo judicial da cidade paquistanesa de Tangi, na região de Charsadda (noroeste).

A investida, de que resultaram também 20 feridos, foi realizada por três homens munidos com coletes suicidas, granadas de mão e espingardas de assalto AK-47. Segundo a agência Reuters, um deles fez-se explodir à entrada do edifício, enquanto os outros dois foram abatidos pela polícia ainda no exterior, o que impediu um banho de sangue maior.

“Advogados e outras pessoas que estavam dentro do complexo começaram a correr para salvar as vidas. Houve pânico e ninguém sabia para onde ir”, descreveu Mohammad Shah Baz Khan, que testemunhou o ataque no interior do edifício, àquela agência noticiosa. Algumas pessoas tentaram escalar os muros em redor do complexo. “Os terroristas queriam matar o maior número possível de pessoas”, esclareceu Ijaz Khan, chefe da polícia local.

Num email enviado a órgãos de informação, o Jamaat-ur-Ahrar, uma fação dos talibãs paquistaneses (Tehreek-e-Taliban Pakistan), reivindicou o ataque. Na semana passada, este grupo tinha divulgado um vídeo anunciando uma nova campanha de violência contra instituições governamentais, judiciais, a polícia e o exército.

Ataque ao Islão moderado

O ataque em Tangi foi o último de uma vaga de atentados sangrentos que tem fustigado o Paquistão e que, só na semana passada, provocou mais de 100 mortos. O mais mortífero, no dia 16, visou o Lal Shahbaz Qalandar, um famoso templo sufi — o sufismo é a corrente mística e contemplativa do Islão —, em Sehwan Sharif, província de Sindh (sul). O número de mortos subiu esta segunda-feira para 90, após duas vítimas não resistirem aos ferimentos.

Reivindicado pelo autoproclamado “Estado Islâmico” (Daesh) — que, pressionado na Síria e no Iraque, está cada vez mais visível e atuante no Paquistão e no vizinho Afeganistão —, o atentado contra o santuário de Sehwan Sharif revela também que, para além das instituições políticas, as minorias religiosas também são um alvo no Paquistão.