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Tropas do Iraque avançam em Mossul enquanto Mattis prepara estratégia contra o Daesh

O novo chefe do Pentágono aterrou na segunda-feira em Bagdade para se encontrar com chefias militares iraquianas e norte-americanas que estão a combater o Daesh

THOMAS WATKINS / GETTY IMAGES

General Mattis, o secretário da Defesa norte-americana, encontrou-se ontem com chefias militares iraquianas e norte-americanas no terreno, para debater a estratégia de combate ao autoproclamado Estado Islâmico no seu último bastião urbano no Iraque

As forças armadas iraquianas continuaram a avançar, na segunda-feira, nos arredores sul de Mossul, o último grande bastião do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) no Iraque, ao segundo dia de operações para expulsar o grupo radical da parte ocidental da cidade. Com apoio aéreo da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, unidades da polícia e tropas iraquianas lançaram uma ofensiva no domingo, parte da campanha de 100 dias que já conduziu à expulsão dos militantes jiadistas do leste da cidade iraquiana.

Na segunda-feira de manhã, helicópteros das forças iraquianas dispararam morteiros contra Abu Saif, abrindo caminho às tropas, que conseguiram reaver o controlo de grande parte da colina estratégica daquela aldeia, com vista para o aeroporto da cidade. A par disso, unidades da polícia militarizada em veículos blindados conseguiram aproximar-se da base militar de Ghazlani, nos arredores sudoeste de Mossul.

A coligação internacional continua a dar apoio aéreo às forças no terreno, que estão desde outubro a tentar recapturar a segunda maior cidade do Iraque. Algumas forças especiais dos EUA estão incorporadas nas unidades de combate iraquianas, a juntar aos milhares de soldados norte-americanos que estão espalhados pelo Iraque a dar apoio logístico e treino às tropas locais.

Os novos avanços no sul de Mossul aconteceram no mesmo dia em que James Mattis, secretário da Defesa da nova administração dos EUA, se encontrou com chefias militares dos EUA e do Iraque para debater a situação no terreno, uma semana antes de apresentar uma nova estratégia ao Presidente Trump para derrotar o Daesh. “Vamos garantir que temos uma boa noção do que enfrentamos juntos e lutar lado a lado”, garantiu o general Mattis aos jornalistas que viajaram com ele até ao Iraque.

Donald Trump passou a campanha presidencial a prometer eliminar o grupo radical, avançando poucos ou nenhuns pormenores sobre a sua estratégia de combate aos militantes ou como é que esta vai diferir da estratégia levada a cabo por Barack Obama, que passou por parcerias com as forças iraquianas para expulsar o Daesh de uma série de aldeias e cidades.

A batalha pelo oeste de Mossul iniciada este fim-de-semana, pela reconquista do último grande bastião urbano do grupo, é tida como a mais difícil até agora. Naquela parte da cidade, atravessada pelo rio Tigre, as ruas são velhas e mais estreitas do que noutras zonas, o que força os soldados iraquianos a abandonarem a segurança relativa dos seus veículos blindados. Para além disso, há até 75 mil civis ali instalados, o que representa um grande desafio no teatro de guerra.

Na segunda-feira, dois carros armadilhados explodiram perto de uma unidade do exército e das forças paramilitares do Iraque, matando e ferindo um número para já indeterminado de tropas, avançaram duas fontes das forças armadas iraquianas. Um terceiro carro armadilhado foi detonado antes de se aproximar das tropas, disseram as mesmas fontes sob anonimato. Os ataques foram reivindicados pelo Daesh no seu “site” de propaganda, com o grupo a dizer que os jiadistas responsáveis pela emboscada eram iraquianos e britânicos.