Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Chegou ao fim o julgamento que dividiu Israel

Elor Azaria, 21 anos, entrou na sala de audiências sorridente e ouviu a sentença sentado entre os pais

© Jim Hollander / Reuters

O sargento israelita que matou com um tiro na cabeça um palestiniano ferido e desarmado, em Hebron, foi condenado a ano e meio de prisão. Para uns Elor Azaria é um herói, para outros o rosto do uso excessivo da força por parte das forças israelitas

Margarida Mota

Jornalista

O caso dividiu a sociedade israelita e a sentença, conhecida esta terça-feira, motivou igualmente reações contrárias. Elor Azaria, um sargento israelita que executou com um tiro na cabeça um palestiniano que jazia no chão, ferido e desarmado, na cidade de Hebron (Cisjordânia), foi condenado a 18 meses de prisão.

“Sabíamos que este não ía ser um dia fácil para o acusado e para a sua família, mas era preciso fazer justiça e foi feita justiça”, afirmou em comunicado o procurador chefe tenente coronel Nadav Weisman.

O julgamento decorreu num tribunal militar, sedeado na base de Kirya, em Telavive. O sargento, de 21 anos, recebeu ainda duas penas suspensas de 12 e seis meses e a despromoção à patente de soldado. A sentença começa a ser cumprida a 5 de março.

“Quando entrou na sala de audiência, um sorridente Azaria foi recebido com aplausos e abraços por parte da família e de apoiantes”, descreveu o jornal digital “The Times of Israel”. “Após a sentença, familiares e amigos cantaram o hino nacional de Israel [Hatikva] e qualificaram Azaria de herói.” O soldado ouviu a pena sentado entre os pais.

Apelos à clemência

Conhecida a sentença, as reações dividiram-se entre apelos ao perdão imediato, elogios à pena atribuída e críticas por parte de quem a considera curta.

“O tribunal disse de sua justiça, o processo legal está concluído. Agora é tempo de clemência, do regresso de Elor [Azaria] a sua casa”, reagiu o ministro israelita dos Transportes, Yisrael Katz (Likud, direita).

“Eles sentenciaram [Azaria] a apenas um ano e meio de prisão. Azaria merecia ser punido, e seriamente”, defendeu o deputado Tamar Zandberg (Meretz, esquerda).

Em Hebron, familiares do palestiniano morto pelo sargento israelita acompanham a leitura da sentença pela televisão

Em Hebron, familiares do palestiniano morto pelo sargento israelita acompanham a leitura da sentença pela televisão

© Ammar Awad / Reuters

Azaria foi condenado por homicídio no mês passado pela morte, a 24 de março de 2016, do palestiniano Abdel Fatah al-Sharif, envolvido num ataque à faca que feriu um militar israelita, em Hebron, no território ocupado palestiniano da Cisjordânia. Azaria, que foi filmado a alvejar Sharif, enquanto este jazia no chão, ferido e imóvel, incorria numa pena de prisão máxima de 20 anos.

A família do palestiniano acompanhou a leitura da sentença pela televisão, em casa, perto de Hebron. “Um ano e meio é uma farça. O que quer dizer?” O meu filho “era um animal para ser morto desta forma bárbara?”, disse o pai de Sharif. “Não estamos surpreendidos, desde o início que sabíamos que este este iria ser um julgamento-espetáculo que não iria fazer justiça. Apesar do soldado ter sido apanhado num vídeo e de ser claro que foi uma execução a sangue frio, ele foi condenado apenas por homicídio, e não assassínio, e a acusação apenas pediu uma pena leve de três anos.”

Num comunicado, a organização Human Rights Watch afirmou que “mandar Elor Azaria para a prisão por este crime envia uma mensagem importante sobre o controlo do uso excessivo da força.”