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Morte de Kim Jong-nam: Polícia procura mais quatro norte-coreanos

Noor Rashid Ibrahim, chefe da polícia nacional, e Abdul Samah Mat, chefe da polícia do estado de Selangor, numa conferência de imprensa este domingo, 19 de fevereiro.

MOHD RASFAN/GETTY IMAGES

Os homens foram identificados como sendo Ri Ji-hyon, de 33 anos, Hong Song-hac, 34 anos, O Jong-gil, 55 anos, e Ri Jae-nam, 57 anos. Os quatro terão viajado para a Malásia com passaportes normais e estiveram menos de um mês no país. Foram embora no dia em que Kim Jong-nam morreu. Foram já detidas quatro pessoas por suspeitas de ligações à morte do meio-irmão do líder da Coreia do Norte: duas mulheres, uma de nacionalidade indonésia e outra que transportava um passaporte vietnamita, e dois homens, um malaio e um norte-coreano

Helena Bento

Jornalista

A polícia da Malásia está à procura de quatro norte-coreanos que deixaram o país no mesmo dia em que Kim Jong-nam morreu. O meio-irmão do líder da Coreia do Norte foi alegadamente assassinado na segunda-feira, no aeroporto de Kuala Lumpur, no estado de Selangor (Malásia).

Os homens, cujas fotografias foram divulgadas durante uma conferência de imprensa com o chefe da polícia nacional, Noor Rashid Ibrahim, foram identificados como sendo Ri Ji-hyon, de 33 anos, Hong Song-hac, 34 anos, O Jong-gil, 55 anos, e Ri Jae-nam, 57 anos. Os quatro terão viajado para a Malásia com passaportes normais e estiveram menos de um mês no país. Foram embora no dia em que Kim Jong-nam morreu. Outro norte-coreano, de 30 anos, foi também interrogado, embora não seja considerado suspeito, informou o chefe da polícia nacional.

A notícia das buscas é avançada pelos meios de comunicação internacionais um dia depois de a polícia da Malásia ter anunciado a detenção, na sexta-feira à noite, de um cidadão de nacionalidade norte-coreana (Ri John Chol, nascido em 1970), suspeito de envolvimento na morte de Kim Jong-nam. Durante a semana, tinham já sido detidas duas mulheres, uma de nacionalidade indonésia, identificada como sendo Siti Aisha, 25 anos, e que foi detida com o seu namorado malaio, e outra que transportava um passaporte vietnamita que a identificava como Doan Thi Huong, de 28 anos.

Kim Jong-nam, o filho mais velho de Kim Jong-il, nascido da relação com Sung Hae-rim, foi alegadamente assassinado na segunda-feira, no aeroporto de Kuala Lumpur, por duas mulheres que usaram um spray como arma, quando se preparava para entrar num avião com destino a Macau, onde vivia há vários anos com a sua segunda mulher. Uma das mulheres que se abeiraram dele no aeroporto usava um top branco com as letras LOL. Kim Jong-nam, apercebendo-se de que alguma coisa não esta bem - sentiu-se tonto depois de ter sido borrifado com o spray - ainda pediu ajuda a uma das funcionárias que se encontravam no local, mas acabaria por morrer a caminho do hospital.

Tito Karnavian, chefe da polícia indonésia, disse aos jornalistas que Siti Aisha, uma das suspeitas do ataque, pensava que tudo não passava de uma partida de um programa de televisão de comédia e que ela era paga para participar neste tipo de partidas, que consistam em convencer as pessoas a fecharem os olhos e a borrifá-las com água. “Esta ação ocorreu três ou quatro vezes e elas recebiam alguns dólares por isso. No último alvo, Kim Jong-Nam, aparentemente havia materiais perigosos na água”, disse Karnavian, citado pela BBC. “Ela não sabia que se tratava de uma tentativa de assassinato por parte de alegados agentes estrangeiros.”

O assassínio de Kim Jong-nam está a levantar receios em relação a outros membros da família, em particular o seu filho, Han-Sol, de 21 anos, que viveu com a família em Macau depois de ter estudado na prestigiada universidade francesa de Science Po, e é visto como um potencial alvo de uma eventual purga familiar. No sábado, Koh Young-Hwan, um ex-diplomata norte-coreano, afirmou que o filho de Kim Jong-nam corre “grande perigo” após a morte do seu pai. “À medida que o reino de terror de Kim Jong-un continua, algumas elites em Pyongyang começaram a pensar em possíveis alternativas. Por isso, Kim Jong-un deve ter preocupações com tais figuras. Agora que Kim Jong-nam morreu, podemos dizer que o seu filho corre também em grande perigo”, afirmou o ex-diplomata. Segundo a agência Lusa, também Ahn Chan-Il, antigo dirigente do exército norte-coreano e líder do Instituto Global para Estudos Norte-coreanos em Seul, disse que, com a morte de Kim Jong-nam, o seu filho “carrega agora um alvo nas costas”.

Kim Jong-nam, outrora apontado como sucessor de Kim Jong-il, pai do atual líder norte-coreano e segundo líder da Coreia do Norte depois de Kim il-Sung, foi detido em 2001, no aeroporto de Tóquio, por estar a tentar viajar para o Japão, alegadamente para visitar um parque de diversões, com um passaporte falso. Emigrara para a China em 1995 e vivia, desde então, entre Pequim e Macau. Exilado pelo pai, Jong-nam viveu em Macau até à morte de Kim Jong-il, em 2011. Optou, depois, por uma vida mais discreta na Malásia, aparentemente com receio de represálias por parte do meio-irmão, que poderia encará-lo como uma ameaça à sua liderança.

A autópsia a Kim Jong-nam ainda não está concluída, mas as autoridades de Pyongyang já prometeram rejeitar todos os resultados e o embaixador da Coreia do Norte na Malásia, Kang Chol, acusou os dirigentes da Malásia de estarem possivelmente a “tentar esconder algo, em conluio com forças externas”. Em declarações à agência de notícias Bernama, o ministro da Saúde malaio, S. Subramaniam, disse que o relatório toxicológico sobre o corpo do meio-irmão do líder da Coreia do Norte poderá demorar duas semanas.

Tanto a Coreia do Sul como os EUA acreditam que Kim Jong-nam foi assassinado por agentes enviados por Pyongyang, uma vez que falara publicamente contra o controlo dinástico da família na Coreia do Norte, refere o britânico “The Guardian”.