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Detido norte-coreano por suspeita de ligação à morte de Kim Jong-nam

TOSHIFUMI KITAMURA/AFP/GETTY

Trata-se de Ri Jonh Chol, cidadão norte-coreano nascido em 1970. É a quarta pessoa a ser detida esta semana por suspeitas de envolvimento na morte de morte de Kim Jong-nam, o meio-irmão do líder da Coreia do Norte, que terá sido alegadamente assassinado no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia. Autópsia ao corpo de Jong-nam ainda não está concluída, mas a Coreia do Norte já prometeu rejeitar todos os resultados e acusou a Malásia de “estar em conluio com forças externas”

Helena Bento

Jornalista

As autoridades da Malásia prenderam um homem de nacionalidade norte-coreana suspeito de estar envolvido na morte de Kim Jong-nam, o meio-irmão do líder da Coreia do Norte, que terá sido alegadamente assassinado na segunda-feira, no aeroporto de Kuala Lumpur, no estado de Selangor, na Malásia. Trata-se de Ri Jonh Chol, nascido em 1970, e foi detido na sexta-feira por suspeitas “de envolvimento na morte de um homem norte-coreano”, lê-se num comunicado divulgado pelas autoridades do país, citado pela Reuters. De acordo com esta agência de notícias, o suspeito tinha consigo um cartão de identificação malaio (“Malaysian i-Kad”) emitido para trabalhadores estrangeiros. Encontra-se, neste momento, sob custódia policial.

Trata-se da quarta detenção relacionada com a morte de Kim Jong-nam, o filho mais velho de Kim Jong-il, nascido da relação com Sung Hae-rim, e que tinha 45 anos. A polícia suspeita que o meio-irmão do líder da Coreia do Norte foi atingido na cara com um líquido venenoso no aeroporto de Kuala Lumpur, enquanto aguardava o embarque com destino a Macau, onde vivia há anos com a sua segunda mulher. Ainda foi socorrido, mas acabaria por morrer a caminho do hospital.

Durante a semana, foram detidas duas mulheres, uma de nacionalidade indonésia, identificada como sendo Siti Aisha, 25 anos, e que foi detida com o seu namorado malaio, e outra que transportava um passaporte vietnamita que a identificava como Doan Thi Huong, de 28 anos. Fontes do Governo confirmaram que há pelo menos mais três suspeitos a monte, refere a Reuters.

A autópsia a Kim Jong-nam ainda não está concluída, mas as autoridades de Pyongyang já prometeram rejeitar todos os resultados e acusaram os dirigentes da Malásia de poderem estar a “tentar esconder algo” e de estarem efetivamente “em conluio com forças externas”, numa referência à Coreia do Sul. Em resposta a estas acusações, o governo da Malásia limitou-se a dizer que há regras que têm de ser cumpridas. Em declarações à agência de notícias Bernama, o ministro da Saúde malaio, S. Subramaniam, disse que o relatório toxicológico sobre o corpo do meio-irmão do líder da Coreia do Norte poderá demorar duas semanas. “Normalmente demora duas semanas para descobrir a causa da morte... Até que encontremos algo conclusivo, não poderemos divulgar o relatório”, disse o ministro. Alguns meios de comunicação internacionais avançaram nas últimas horas, e citando um dirigente malaio próximo da investigação, que foi realizada uma segunda autópsia ao corpo de Kim Jong-nam, uma vez que a primeira fora alegadamente considerada inconclusiva, e que esse segundo procedimento desagradara à Coreia do Norte, mas o chefe da polícia local, Abdul Samah Mat, desmentiu esta notícia à Reuters.

Filho de Kim Jong-nam pode correr “grande perigo”

O assassínio de Kim Jong-nam está a levantar receios em relação a outros membros da família, em particular em relação ao seu filho, Han-Sol, de 21 anos, que viveu com a família em Macau depois de ter estudado na prestigiada universidade francesa de Science Po, e é visto como um potencial alvo de uma eventual purga familiar. Este sábado, Koh Young-Hwan, ex-diplomata norte-coreano, disse mesmo que filho de Kim Jong-nam corre “grande perigo” após a morte do seu pai. “À medida que o reino de terror de Kim Jong-un continua, algumas elites em Pyongyang começaram a pensar em possíveis alternativas. Por isso, Kim Jong-un deve ter preocupações com tais figuras. Agora que Kim Jong-nam morreu, podemos dizer que o seu filho corre também em grande perigo”, afirmou. Segundo a agência Lusa, também Ahn Chan-Il, antigo dirigente do exército norte-coreano e líder do Instituto Global para Estudos Norte-coreanos em Seul, disse que, com a morte de Kim Jong-nam, o seu filho “carrega agora um alvo nas costas”.

Kim Jong-nam, outrora apontado como sucessor de Kim Jong-il, pai do atual líder norte-coreano e segundo líder da Coreia do Norte depois de Kim il-Sung, foi detido em 2001 no aeroporto de Tóquio com um passaporte falso, enquanto tentava viajar para o Japão, alegadamente para visitar um parque Disney. Emigrara para a China em 1995 e vivia, desde então, entre Pequim e Macau.

Exilado pelo pai, Jong-nam viveu em Macau até à morte de Kim Jong-il, em 2011. Optou, depois, por uma vida mais discreta na Malásia, aparentemente com receio de represálias por parte do meio-irmão, que poderia encará-lo como uma ameaça à sua liderança. Num artigo publicado este sábado, a Reuters relembra que Kim Jong-nam falou publicamente contra o controlo dinástico da família na Coreia do Norte.