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Vice-almirante Harward recusa oferta de Trump para substituir Michael Flynn

Robert S. Harward (dta) é apontado como provável substituto de Michael Flynn no Conselho de Segurança Nacional

KHALIL MAZRAAWI

Informação foi avançada sob anonimato à CBS News. Em causa estará uma disputa entre o oficial-general da Marinha na reforma e o Presidente sobre o número dois do Conselho de Segurança Nacional

O facto de Donald Trump ter forçado Michael Flynn a resignar ao cargo de conselheiro de segurança nacional mas ter mantido como sua vice-conselheira K. T. McFarland levou o vice-almirante Robert Harward a recusar a oferta que o Presidente lhe fez para substituir Flynn.

A informação foi avançada na quinta-feira à noite à CBS News por duas fontes da administração sob anonimato; ambas dizem que, após um dia de intensas negociações entre Harward e o governo, o oficial-general da Marinha na reforma que era o favorito para substituir Flynn rejeitou a oferta para ocupar o lugar deixado vago na segunda-feira, após ter sido denunciado que o ex-conselheiro mentiu ao vice-presidente Mike Pence sobre contactos telefónicos que manteve com o embaixador russo nos Estados Unidos em dezembro.

"Especificamente, Trump disse à vice-conselheira de segurança nacional K. T. McFarland que ela podia reter o seu cargo, mesmo depois do despedimento de Michael Flynn", noticia o canal de televisão com base nas informações das duas fontes. "Harward recusou-se a manter McFarland como sua vice e depois de um dia de negociações sobre isso e sobre outros membros [do Conselho de Segurança Nacional], Harward recusou ser o substituto de Flynn."

Harward ter-se-á recusado a trabalhar com K. T. McFarland, ex-comentadora da Fox News que trabalhou na Casa Branca de Ronald Reagan

Harward ter-se-á recusado a trabalhar com K. T. McFarland, ex-comentadora da Fox News que trabalhou na Casa Branca de Ronald Reagan

Drew Angerer

Harward, um ex-SEAL (força de operações especiais da Marinha), de 60 anos, foi o número dois do Comando Central dos EUA quando este era liderado pelo agora secretário de Defesa James Mattis. Durante seis anos, no rescaldo dos atentados de 11 de setembro de 2001, foi vice-comandante das tropas norte-americanas no Iraque e no Afeganistão, antes de se tornar diretor de estratégias e de combate ao terrorismo no Conselho de Segurança Nacional de George W. Bush.

Michael Flynn demitiu-se do cargo de conselheiro de Trump no início da semana perante alegações de que discutiu com o embaixador russo Sergei Kislyak a possibilidade de o novo governo dos EUA suspender as sanções impostas pela anterior administração ao diplomata e a outras personalidades e empresas russas em retaliação à anexação da Crimeia em 2014. As conversas aconteceram em dezembro, quase um mês antes de Trump tomar posse a 20 de janeiro.

O facto de ter falado com o alto diplomata sobre questões de política interna antes de assumir o cargo no Conselho de Segurança Nacional, algo que é proibido por lei, não foi o que conduziu à sua demissão. Na terça-feira, Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca, disse aos jornalistas que o Presidente já sabia "há semanas" que Flynn tinha falado com o embaixador russo e que decidiu pedir-lhe que se demitisse por ter mentido a Pence sobre o conteúdo dessas conversas.

No mesmo dia, fontes oficiais confirmaram que agentes do FBI entrevistaram Flynn em janeiro sobre estas suspeitas. De acordo com a Agência de Serviços de Informação de Defesa (DIA), que chegou a ser chefiada pelo general na reforma (e um cargo ao qual Flynn também teve de resignar em 2014, um ano antes do previsto, por queixas de colegas e problemas internos), o ex-conselheiro já perdeu as suas credenciais de segurança agora que está as suas alegadas ligações à Rússia estão a ser alvo de um inquérito.

Numa conferência de imprensa ontem, Trump defendeu-se e ao seu ex-conselheiro com novos ataques aos media e aos agentes das secretas norte-americanas, estes últimos responsáveis pelo que classifica como o "processo ilegal" de passar informações à imprensa. "Mike Flynn é uma ótima pessoa, estava apenas a fazer o seu trabalho, não acho que ele tenha feito nada de errado", declarou o Presidente. "Ele não transmitiu ao vice-presidente dos Estados Unidos os factos e depois disse que não se lembrava", disse Trump para justificar porque é que pediu a Flynn que abandonasse o cargo. O "grande problema", apontou como ressalva, é que "informações confidenciais foram passadas [aos jornalistas] de forma ilegal".