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Infanta Cristina vai mudar-se para Portugal. Marido condenado a seis anos de prisão

Iñaki Urdangarin e Cristina de Borbon

CATI CLADERA / EPA

Iñaki Urdangarin foi condenado a seis anos e três meses de prisão por prevaricação, fraude e tráfico de influência, entre outros crimes. Fica ainda obrigado a pagar uma multa de 512 mil euros. Infanta Cristina de Espanha foi absolvida de dois crimes fiscais no caso Nóos e vai mudar-se para Portugal com os seus quatro filhos

Helena Bento

Jornalista

A infanta Cristina, irmã do rei espanhol, foi absolvida de dois crimes fiscais no caso Nóos e vai mudar-se para Portugal com os seus quatro filhos. O marido, Iñaki Urdangarin, foi condenado a seis anos e três meses de prisão por fraude e desvio de dinheiros públicos e terá ainda de pagar uma multa de 512 mil euros, de acordo com o “El País”.

Mais de seis meses após a última sessão do julgamento, foi esta sexta-feira comunicada a sentença aos advogados dos 17 arguidos do caso que fez sentar, pela primeira vez, um membro da família real no banco dos réus. Diego Torres, ex-sócio do marido da infanta Cristina, foi condenado a oito anos e seis meses de prisão e ao pagamento de uma multa no valor de 1,7 milhões de euros por fraude, tráfico de influências e branqueamento de capitais, e o antigo dirigente do Partido Popular espanhol e ex-presidente do governo autónomo das ilhas Baleares, Jaume Matas, foi condenado a três anos e oito meses de prisão por prevaricação e fraude. A infanta Cristina de Borbón y Garcia, filha dos reis eméritos Juan Carlos e Sofia, foi absolvida dos crimes fiscais, mas terá de pagar uma multa de 265.088 euros. A mulher de Diego Torres, Ana Maria Tejeiro, também foi absolvida.

O caso Nóos remonta a 2010, quando o procurador Pedro Horrach e o juiz José Castro, de Palma de Maiorica, investigavam outro caso de corrupção e, por acaso, descobriram documentos que provavam que a administração balear tinha realizado adjudicações irregulares de trabalhos, pagos com dinheiros públicos, ao Instituto Nóos, uma suposta fundação desportiva sem fins lucrativos com sede em Palma de Maiorca, dirigida por Urdangarín e pelo então sócio, Diego Torres, e da qual a infanta era membro.

O instituto organizava eventos desportivos e turísticos e elaborava relatórios sem cobrar nada, supostamente. Soube-se, no entanto, que uma série de empresas de que Iñaki Urdangarin e Diego Torres eram proprietários eram encarregues de concretizar esses trabalhos, obtendo os devidos lucros. Com o avanço da investigação descobriu-se que, em vários casos, esses trabalhos nem sequer existiam ou eram faturados a um preço muito superior ao normal. Mais tarde, foram ainda reveladas provas de que os mesmos procedimentos tinham sido utilizados na Comunidade Valenciana e em Madrid.

O julgamento arrancou no início de 2016. Em junho, a acusação pediu uma pena de prisão de 19 anos e meio e uma multa de 980 mil euros para Inaki Urdangarin. A infanta Cristina, considerada sua cúmplice enquanto proprietária de 50% da empresa Aizón, que recebia pelos trabalhos realizados supostamente pelo Instituto Nóos, enfrentava uma pena de oito anos de prisão e uma multa de dois milhões de euros. Para Diego Torres, também acusado de peculato, o Ministério Público anticorrupção pediu uma pena de prisão de 16 anos e meio.

Desde o início do caso, a acusação recusou a apresentação de uma queixa contra a infanta Cristina de Borbón. Entretanto, uma organização chamada Mãos Limpas levou a tribunal o caso da alegada evasão fiscal da princesa, uma vez que a lei espanhola permite que grupos privados possam iniciar este tipo de processos penais.