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A nova “missão” de Tony Blair: convencer os britânicos a fazerem frente ao Brexit

Tony Blair: "Até à realização do referendo a incerteza tomará conta dos negócios"

Getty

Antigo primeiro-ministro do Reino Unido vai fazer um discurso esta sexta-feira para lançar uma campanha contra a saída da União Europeia; defende que é necessário "construir uma base de apoio" e "encontrar um caminho" que afaste os britânicos "da beira do precipício"

Tony Blair vai anunciar em breve a sua nova "missão", a de persuadir os britânicos que o Brexit não lhes vai trazer benefícios e a convencê-los a "erguerem-se" contra a saída do Reino Unido da União Europeia. A informação está a ser avançada pela BBC esta sexta-feira, com o canal a dar conta de que o antigo primeiro-ministro trabalhista vai fazer um discurso contra o Brexit onde irá declarar que a população foi votar no referendo de 23 de junho "sem conhecer as verdadeiras condições do Brexit".

Blair considera como sua missão "construir uma base de apoio" para "encontrar um caminho" que afaste os britânicos "da atual corrida frenética em direção à beira do precipício".

Iain Duncan Smith, ex-ministro do Trabalho no anterior governo de David Cameron, que se demitiu após a vitória do "sim" no referendo de junho, diz que o discurso que Blair planeia fazer é "arrogante" e "totalmente antidemocrático". Um dos mais ferverosos apoiantes do Brexit, que integrou a barricada contrária à de Cameron e de Blair, Smith diz que os comentários do antigo primeiro-ministro demonstram que a elite política está completamente desligada das necessidades e desejos do povo britânico.

Downing Street também já reagiu à notícia, dizendo-se "absolutamente comprometida" com o avanço do Brexit. A primeira-ministra Theresa May continua a planear invocar formalmente o artigo 50.º do Tratado de Lisboa, a única alínea dos tratados da UE que prevê a saída inédita de um Estado-membro, até ao final de março — um passo para o qual já obteve o apoio da maioria dos deputados britânicos na semana passada, após o Tribunal Constitucional ter ditado que o governo tinha de levar o Brexit a votação no parlamento antes de avançar com a ativação do artigo 50.º.

Blair, que foi primeiro-ministro do Reino Unido entre 1997 e 2007, vai discursar hoje para uma plateia de ativistas do grupo pró-UE Open Britain sobre os perigos da saída do bloco e argumentar que aqueles que a defenderam "sempre quiseram um Brexit duro".

Citado pela BBC, Blair vai explicar que "até o termo 'brexit duro' precisa de ser corrigido, porque a polítia agora a ser seguida é um 'brexit a todo o custo'." O desafio dos britânicos é "expôr incansavelmente o verdadeiro custo" de firmar a saída da UE, "mostrar como esta decisão foi baseada em conhecimentos imperfeitos" e transformá-los em "conhecimentos informados". O objetivo do antigo chefe do governo é "calcular de uma forma 'fácil de entender' como é que este procedimento vai causar reais danos ao país e aos seus cidadãos".

O antigo líder britânico não vai recusar o veredito popular ditado em junho nem vai desmentir como as questões de imigração que dominaram a campanha são "fundamentais", mas vai ainda assim recomendar que se olhe para o Brexit com novos olhos, para "ter uma noção do que se está a passar".