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Trump desconfia dos próprios serviços secretos

CARLOS BARRIA/Reuters

Presidente dos EUA tem vindo a criticar o trabalho e a integridade dos serviços secretos, que acusa de terem “passado de forma ilegal” informação secreta para os media

O Presidente dos Estados Unidos está a considerar nomear o multimilionário nova-iorquino, Stephen A. Feinberg para conduzir uma análise aos serviços secretos norte-americanos, segundo membros do Executivo citados pelo “The New York Times”. Oficiais dos serviços de inteligência receiam que esta medida possa limitar a independência destes departamentos.

Esta quarta-feira, Donald Trump criticou os serviços secretos norte-americanos na sua conta do Twitter por estarem a fornecer informações secretas “de forma ilegal”. Um dia antes, o “The New York Times” havia noticiado que os serviços de inteligência intercetaram chamadas e registos telefónicos que mostram que membros da campanha de Trump “mantiveram contactos repetidos com membros da comunidade de serviços de informação da Rússia no ano que precedeu as eleições”. O Presidente dos EUA culpa as fugas de informação “ilegais” pela demissão de Michael Flynn do cargo de conselheiro de segurança nacional, apesar de ter mentido sobre os seus contactos com a Rússia, demissão que ele mesmo pedira.

Na madrugada desta quinta-feira, Trump voltou a reforçar a sua ideia através do Twitter. “Passar ilegalmente informação secreta tem sido um problema em Washington há anos”, escreveu o Presidente, instigando ainda o “The New York Times” e outros jornais a pedirem desculpa.

Ainda não foi divulgada qualquer informação sobre o cargo que Feinberg, cofundador da Cerberus Capital Management, um dos maiores bancos de investimento privados dos EUA, poderá vir a ocupar na Casa Branca. No entanto, como escreve o “The New York Times”, o multimilionário recentemente informou os acionistas da sua empresa que estava em negociações para se juntar à administração Trump.

De acordo com membros da administração, que falaram sob anonimato, citados pelo “Washington Post”, Feinberg é alguém por quem Trump nutre respeito e admiração. Já são amigos de longa data e atualmente Feinberg integra o conselho consultivo económico de Trump.

Oficiais dos serviços secretos temem que Trump esteja a preparar terreno para destacar Feinberg para um alto cargo num destes departamentos, que normalmente está reservado para oficiais com uma longa carreira nos serviços de informação (que não é o caso), escreve o “The New York Times”.

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    “Se não se importam, vamos esperar e não vamos acreditar em informações anónimas, que são informações que têm como base facto nenhum”. O porta-voz do Kremlin rejeitou a notícia publicada pelo “The New York Times”, que avançava que registos telefónicos e chamadas intercetadas mostraram a existência de vários contactos entre membros da campanha de Donald Trump e membros dos serviços secretos russos

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