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Internacional

EUA para os aliados da NATO: ou investem mais ou reduzimos apoios

James Mattis (esq) ao lado do secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg

EMMANUEL DUNAND

Novo secretário da Defesa norte-americana, o general James Mattis, garantiu na quarta-feira na sua primeira reunião com os aliados em Bruxelas que a administração Trump vai “moderar” o seu compromisso com a Aliança Atlântica caso os restantes membros não cumpram o objetivo de alocar pelo menos 2% do PIB para a defesa militar

O novo secretário de Defesa dos Estados Unidos, o general James Mattis, seguiu na quarta-feira a cartilha apresentada por Donald Trump durante a campanha para as presidenciais norte-americanas, dizendo aos parceiros da NATO que se não aumentarem a despesa militar até ao final deste ano se arriscam a perder o apoio dos Estados Unidos. O ultimato foi feito durante uma visita do secretário Mattis (correspondente ao nosso ministro da Defesa) à sede da NATO em Bruxelas.

"Se as vossas nações não querem ver a América a moderar o seu compromisso com esta aliança, cada uma das vossas capitais tem de demonstrar que está empenhada na nossa defesa comum", declarou Mattis num dos seus primeiros momentos sob os holofotes internacionais desde que tomou posse no mês passado. No mesmo encontro, o chefe do Pentágono recomendou aos ministros da Defesa dos outros 27 países da aliança atlântica que adotem planos de ação em que sejam fixadas datas para que os governos nacionais cumpram o requisito de investir pelo menos 2% do Produto Interno Bruto dos seus países na defesa.

A mensagem de Mattis aos parceiros da NATO em Bruxelas está alinhada, ainda que parcialmente, com a retórica de Donald Trump, o novo Presidente dos Estados Unidos, que durante a campanha prometeu desinvestir na aliança militar se os aliados não começarem a abrir os cordões às bolsas. Há vários anos que os EUA pedem aos aliados que gastem pelo menos 2% do PIB nas forças armadas, um objetivo que apenas um punhado de países aceitou na cimeira da NATO de 2014. Neste momento, os EUA, a Grã-Bretanha, a Estónia, a Grécia e a Polónia são os únicos que já atingiram ou ultrapassaram essa meta.

Questionado sobre os avisos de Mattis, o secretário-geral da NATO disse que os aliados precisam de tempo para desenvolver estratégias e planos e sublinhou que a maioria deles já está empenhada em aumentar as suas contribuições para a área da defesa. Citado pelos correspondentes em Bruxelas, Jens Stoltenberg minimizou as palavras do chefe militar norte-americano, dizendo que não foi um ultimato mas uma "mensagem firme" que encontrou eco junto de todos os aliados.

"Esta mensagem tem a ver com a importância de partilhar esforços e reflete uma realidade política nos EUA", disse na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro de quarta-feira.

Apesar do tom duro, Mattis não seguiu o exemplo de Trump quando classificou a NATO como um "alicerce fundamental" para a segurança transatlântica; durante a campanha eleitoral norte-americana, o candidato republicano disse que a aliança é um organismo "obsoleto" e sublinhou que o contínuo apoio dos EUA ia depender de quanto é que os restantes aliados estão dispostos a desembolsar. Há uma semana, na tentativa de acalmar os aliados, o novo secretário de Defesa já tinha reiterado o compromisso dos EUA na defesa comum.