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Dois jornalistas mortos a tiro na República Dominicana

Fotografia tirada durante o cortejo fúnebre de Leonidas Martinez, o diretor e produtor do programa de rádio que foi atingido a tiro na terça-feira.

ERIKA SANTELICES/GETTY IMAGES

Um dos jornalistas foi atingido enquanto transmitia as notícias através de um vídeo em direto para o Facebook. Era apresentador do programa “Milenio Caliente”, cujo diretor e produtor também foi atingido, momentos antes. Foram detidos três homens, mas o motivo do ataque ainda é desconhecido

Helena Bento

Jornalista

Dois jornalistas de rádio foram mortos a tiro, na terça-feira, na cidade de San Pedro de Marcorís, na República Dominicana. Luís Manuel Medina, apresentador do programa “Milenio Caliente”, da estação de rádio 103.5 FM, foi atingido enquanto transmitia as notícias através de um vídeo em direto para o Facebook. No vídeo, que esteve disponível durante algum tempo mas foi entretanto retirado, ouve-se tiros e uma mulher a gritar “Tiros! Tiros! Tiros!”.

Momentos antes, o diretor e produtor do programa, Leonidas Martínez, foi morto num escritório adjacente à estação de rádio, situada num centro comercial. A secretária Dayaba Garcia foi também atingida durante o ataque e transportada de imediato para o hospital, onde foi submetida a uma cirurgia de emergência.

Foram detidos três homens, mas ainda não se conhece o motivo do ataque. Bastante popular, o programa “Milenio Caliente” dedica-se à análise política e a campanhas sociais. Nas últimas semanas, Luís Manuel Medina condenara mais do que uma vez a poluição na Laguna Mallen, um lago protegido situado em San Pedro de Marcorís.

Em declarações ao “Guardian”, Olivo de Leon, amigo dos jornalistas em causa, chamou a atenção para o caráter inédito do ataque, ao qual não reconhece quaisquer “precedentes”, e sublinhou a necessidade de as autoridades investigarem o sucedido, “não só para determinar a identidade dos atacantes, mas também para perceber as suas motivações”. “A impunidade neste caso vai gerar o medo entre os jornalistas e fazer com que se sintam demasiado assustados para conseguirem expressar-se e fazer o seu trabalho. O Governo deve garantir a liberdade de expressão”, afirmou Olivo de Leon.

De acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), os jornalistas que abordam temas relacionados com a corrupção e o tráfico de droga na República Dominicana são frequentemente vítimas de ameaças e ataques.