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Assad. Relatório da Amnistia sobre execuções em massa é “vergonhoso”

JOSEPH EID/AFP/Getty Images)

O Presidente sírio sustentou que o relatório da AI, que denuncia até 13 mil execuções naquela prisão localizada perto da capital síria, “não fala de factos”

O Presidente da Síria, Bashar al-Assad, qualificou de "vergonhoso" o relatório da Amnistia Internacional (AI) que denuncia uma campanha de execuções em massa na prisão de Saydnaya, afirmando que se baseia em "alegações" sem provas.

Numa entrevista emitida esta quinta-feira por dois 'media' franceses – Europe 1 e TF1 –, Assad sustentou que o relatório da AI, que denuncia até 13 mil execuções naquela prisão localizada perto da capital síria, Damasco, "se baseia em alegações" e que "não fala de factos".

O Presidente sírio insistiu que "apenas" se facultam os nomes de 36 pessoas executadas, que os autores do estudo entrevistaram "opositores" e "desertores", que tudo o que se faz na prisão de Saydnaya é "legal", frisando ainda que a pena de morte também é legal na Síria desde a independência do país, pelo que o governo pode utilizá-la "de acordo com a lei".

Também garantiu que, contra o que sustenta a AI, não existe tortura.

"Para quê torturar?", "O que é que ganhamos?" - foram algumas das respostas sob a forma de pergunta de Assad.

"Se cometêssemos tais atrocidades, estaríamos a fazer o jogo dos terroristas (...) e não teríamos o apoio popular que temos ao fim de seis anos" de conflito, afirmou.

Quando questionado se se sente legitimado para continuar à frente do seu país, depois de 17 anos no poder e de uma guerra que fez 300 mil mortos, o Presidente sírio respondeu que o regime luta "contra o terrorismo para defender o povo", que tal "é um dever que deriva da Constituição e da lei" e que, caso não o fizesse, existiriam mais cidadãos sírios mortos.

Sobre a possibilidade de convocar eleições, argumentou que tal irá suceder no final da guerra, altura em que poderá contemplar-se "todo o tipo de soluções", mas até lá a única questão é se o povo o apoia na contenda ou não.

A Amnistia Internacional acusou, no início do mês, o governo sírio de ter praticado "uma campanha calculada de execuções extrajudiciais" entre 2011 e 2015, na prisão de Saydnaya, que resultou em 13 mil mortos, na sua maioria civis.

"Entre 2011 e 2015, todas as semanas e muitas vezes duas vezes por semana, grupos de até 50 pessoas eram levadas das suas celas prisionais e enforcadas. Em cinco anos, até 13 mil pessoas, a maioria deles civis considerados opositores do governo, foram enforcadas em segredo em Saydnaya", segundo o relatório da AI com o título "Matadouro Humano: Enforcamentos e extermínio em massa na Prisão de Saydnaya, Síria".

A Amnistia Internacional fala mesmo em "políticas de extermínio" e considera que "estas práticas, que constituem crimes de guerra e crimes contra a humanidade, são autorizadas aos mais altos níveis do governo sírio".

A investigação, que decorreu de dezembro de 2015 a dezembro de 2016, envolveu entrevistas em primeira mão com 84 testemunhas - incluindo antigos guardas, responsáveis e reclusos de Saydnaya, juizes e advogados, bem como especialistas em detenções na Síria.

Nenhum dos condenados ao enforcamento na prisão de Saydnaya teve direito a um procedimento remotamente parecido sequer com um julgamento, segundo a AI.