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Trump para Netanyahu: Israelitas e palestinianos, “ambos têm de fazer concessões. Sabe disso, não sabe?”

Donald Trump tornou-se o quarto Presidente dos EUA a receber, na Casa Branca, Benjamin Netanyahu enquanto primeiro-ministro de Israel

© Kevin Lamarque / Reuters

A privilegiada relação entre os Estados Unidos e Israel abriu esta quarta-feira um novo capítulo. Donald Trump recebeu Benjamin Netanyahu na Casa Branca e, contrariamente aos seus antecessores, não fez a apologia da solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano

Margarida Mota

Jornalista

Há menos de um mês na Casa Branca, Donald Trump recebeu, esta quarta-feira, Benjamin Netanyahu para um encontro aguardado com grande expectativa. Dali, antevia-se, poderia sair uma inversão na posição de décadas dos Estados Unidos de defesa da solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano.

Numa conferência de imprensa realizada antes do encontro em privado entre o Presidente dos EUA e o primeiro-ministro de Israel, Trump não fez a defesa acérrima dessa fórmula. Mas também não estendeu a passadeira aos israelitas que Netanyahu teria gostado.

Trump reafirmou o “vínculo inquebrável” entre os dois países, acrescentando que Israel “terá de mostrar alguma flexibilidade” em algumas posições, que gostaria de ver “um pouco” de contenção na construção de colonatos e que a obtenção de um acordo depende do diálogo entre israelitas e palestinianos.

“São as partes que têm de negociar diretamente” um acordo de paz. “E ambos os lados têm de fazer concessões. Sabe disso, não sabe?”, afirmou, virando-se para Netanyahu, que, apanhado de surpresa, deixa escapar em seco: “Falaremos disso”.

“Muito cuidado” na mudança da embaixada para Jerusalém

Questionado, em concreto, sobre se defende um ou dois Estados na região, o chefe de Estado norte-americano disse que concordará com o que as partes decidirem. “Ficarei feliz com aquele [tipo de Estado] que eles gostarem mais”, disse Trump.

Já em relação à eventual mudança da embaixada norte-americana de Telavive para Jerusalém — a cidade santa que israelitas e palestinianos reclamam para sua capital —, garantiu que os EUA tratarão desse assunto “com muito cuidado”.

Neste café da cidade palestiniana de Hebron (Cisjordânia), onde vivem dos colonos judeus mais radicais, a conferência de imprensa de Netanyahu e Trump não captou a mínima atenção

Neste café da cidade palestiniana de Hebron (Cisjordânia), onde vivem dos colonos judeus mais radicais, a conferência de imprensa de Netanyahu e Trump não captou a mínima atenção

© Mussa Qawasma / Reuters

Benjamin Netanyahu defendeu que “os colonatos não são o coração do conflito”. Para o governante israelita, há dois pré-requisitos para a paz que exige aos palestinianos: o reconhecimento de Israel como um Estado judeu e a salvaguarda das necessidades de segurança a oeste do rio Jordão, ou seja, no território palestiniano ocupado da Cisjordânia.

“Temos de procurar novas formas” de alcançar a paz, disse “Bibi” (como é também conhecido), defendendo uma abordagem regional do conflito em conjunto com os países árabes. “Pela primeira vez na vida de Israel e na minha vida [Israel foi criado em 1948 e Netanyahu nasceu no ano seguinte], países árabes na região não veem Israel como um inimigo mas antes como um aliado.”

Trump confirmou que os dois líderes têm falado acerca da possibilidade de “um grande acordo” regional, “envolvendo muitos, muitos países”. “Não sabia que ía menciona-lo”, disse Trump, virando-se para Netanyahu, “mas já que o fez, é uma coisa fantástica”.

Netanyahu foi o segundo líder do Médio Oriente a ser recebido por Donald Trump em Washington — o primeiro foi o rei da Jordânia, Abdallah II, a 2 de fevereiro. Já Trump foi o quarto Presidente norte-americano que “Bibi” visitou enquanto primeiro-ministro de Israel, a seguir a Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama. Netanyahu foi primeiro-ministro entre 1996 e 1999 e está no cargo desde 2009.