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Trump garante que serviços secretos norte-americanos estão a passar informação de forma “ilegal”

MICHAEL REYNOLDS/EPA

Donald Trump negou novamente qualquer relação com a Rússia e classificou as informações que dão conta de contactos entre membros da sua campanha e os serviços secretos russos como “um absurdo”. Vários senadores republicanos estão também a pedir mais esclarecimentos sobre esta situação

O Presidente norte-americano alertou esta quarta-feira, na sua conta do Twitter, para o facto de que “informação secreta está a ser ilegalmente fornecida pelos serviços secretos”. Donald Trump referiu ainda que as informações sobre os contactos da sua equipa com os serviços secretos russos eram “absurdas”.

Trump salientou ainda que esta história “é apenas uma tentativa de encobrir os muitos erros cometidos pela campanha perdedora de Hillary Clinton”.

Esta terça-feira, o “The New York Times” avançou com a notícia de que os serviços secretos norte-americanos intercetaram chamadas e registos telefónicos que mostram que membros da campanha de Trump “mantiveram contactos repetidos com membros da comunidade de serviços de informação da Rússia no ano que precedeu as eleições”.

Também na terça-feira, Michael Flynn demitiu-se do cargo de conselheiro de segurança nacional de Donald Trump devido aos contactos que manteve com a Rússia, nos quais discutiu as sanções impostas pelos Estados Unidos ao embaixador russo em Washington, Sergei Kisliak, antes de Trump ter tomado posse e que enganou os membros da administração sobre o conteúdo dessa conversa. Nesses contactos, Flynn discutiu que a futura administração republicana não iria mostrar a mesma severidade para com Moscovo do que a antecessora administração democrata, nomeadamente em relação às sanções aprovadas após a anexação da Crimeia.

Numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, esta quarta-feira, Donald Trump referiu que Flynn é um “homem maravilhoso” e acrescentou que “considera muito, muito injusto o que aconteceu ao general, a maneira como foi tratado e os documentos e papéis que foram ilegalmente, destaco, ilegalmente libertados”, escreve a Reuters.

Senadores republicanos querem esclarecimentos sobre ligações com a Rússia

Vários senadores republicanos estão a desafiar Trump, prometendo chegar ao fundo da questão sobre as relações entre os membros da sua equipa e a Rússia. Pedem ainda que Michael Flynn testemunhe perante o Congresso.

O senador Bob Corker, chairman do Comité de Relações Exteriores do Senado, referiu, citado pela Reuters, que a fuga da informação para os media tratava-se de um “problema secundário”, e que a principal questão era “chegar ao fundo do que foi a interferência russa [nas eleições] e que relação houve com os assessores de Trump”. Corker declarou que o testemunho de Flynn perante o Congresso “seria uma coisa muito apropriada”.

Também a senadora da Carolina do Sul, Lindsey Graham, que tem sido crítica de Trump, pediu uma investigação bipartidária mais vasta por parte do Congresso, conduzida por um comité especial, se se verificar que a campanha presidencial de Trump esteve em contacto com a Rússia. “Se for verdade, é muito perturbador para mim. E a Rússia tem de pagar um preço por interferir com a nossa democracia e com as outras democracias. E qualquer pessoa da equipa de Trump que trabalhou com os russos também tem de pagar um preço”, disse Graham à ABC, citada pela Reuters.

Em janeiro, os serviços secretos norte-americanos concluíram que a Rússia terá interferido no processo eleitoral americano, para ajudar Donald Trump a vencer as eleições.

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