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Internacional

Moscovo testa Donald Trump com violação de tratado de armas

foto Mikhail Svetlov / Getty images

Alegada violação do acordo de controlo de armas, que remonta à era da Guerra Fria, foi denunciada um dia depois de Michael Flynn se ter demitido do Conselho de Segurança Nacional na sequência de telefonemas com o embaixador russo nos EUA – e perante notícias de que chamadas intercetadas pelas secretas mostram que figuras próximas do Presidente Trump mantiveram contactos "recorrentes" com espiões russos antes das eleições presidenciais

Membros da administração de Donald Trump avançaram esta terça-feira ao "New York Times" que foi concluído que a Rússia avançou com a instalação de um sistema de mísseis-cruzeiro em violação de um tratado de controlo de armas assinado com os Estados Unidos na reta final da Guerra Fria.

A alegada violação acontece num momento de profundas suspeitas sobre alegadas ligações do novo governo norte-americano às autoridades russas, que esta semana conduziram à primeira baixa da administração Trump, acompanhada de notícias sobre contactos recorrentes entre membros da equipa do Presidente e figuras do governo de Vladimir Putin durante o ano que precedeu as eleições presidenciais de novembro.

Há três anos, a administração Obama tinha acusado os russos de violarem o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), assinado em 1987, com um teste de mísseis-cruzeiro como aquele que agora, e segundo as fontes citadas pelo "New York Times", já está totalmente operacional. Funcionários do governo federal já antecipavam que o governo russo fosse autorizar um novo teste apesar dos esfoçros diplomáticos do anterior governo para que Moscovo corrigisse essa violação.

Pelo timing dos acontecimentos, a violação do INF representa um grande desafio à nova administração norte-americana, numa altura em que crescem as suspeitas sobre ligações duvidosas de pessoas próximas do Presidente dos EUA à Rússia de Putin. Moscovo continua a desmentir ter violado o tratado em questão. Mas fontes do governo Trump garantem que as agências secretas concluíram que o míssil russo foi testado e ficou operacional no final do ano passado, semanas antes de o empresário tomar posse como 45.º Presidente dos Estados Unidos.

Outra fonte oficial avançou entretanto que, a 10 de fevereiro, vários aviões militares russos se aproximaram perigosamente de um contratorpedeiro da Marinha norte-americana que está estacionado no Mar Negro, incidentes que essa fonte diz serem "inseguros e pouco profissionais". O Ministério da Defesa russo também desmente essa informação, oficialmente confirmada por Danny Hernandez, porta-voz do Comando EUA-Europa. A fonte fala em três incidentes distintos a envolver o USS Porter e aviões russos. "Tais incidentes são preocupantes porque podem resultar em acidentes e erros de cálculo."

As duas notícias surgem depois de o general Michael Flynn ter sido forçado a demitir-se do Conselho de Segurança Nacional, 24 dias depois da tomada de posse de Trump, por não ter revelado ao vice-presidente Mike Pence o conteúdo de conversas telefónicas mantidas com o embaixador da Rússia nos EUA em Dezembro.

Trump exigiu a Flynn que se demitisse por não ter dito a Mike Pence que discutiu as sanções com o embaixador da Rússia

Trump exigiu a Flynn que se demitisse por não ter dito a Mike Pence que discutiu as sanções com o embaixador da Rússia

CARLOS BARRIA/Reuters

A administração continua a defender que não houve qualquer ilegalidade nos contactos de Flynn com Sergei Kislyak, durante os quais o general na reforma terá discutido como anular as sanções impostas ao diplomata russo pela anterior administração. Segundo Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca, Trump sabia "há semanas" que Flynn falou com Kislyak antes de o governo tomar posse – uma violação da lei, que proíbe cidadãos privados de discutirem questões políticas com diplomatas estrangeiros – e decidiu exigir ao general que se demitisse porque já não podia confiar nele, após este ter ocultado de Mike Pence que discutiu as sanções com o representante russo.

Na sequência da sua demissão na segunda-feira à noite, naquela que foi a primeira baixa do governo Trump, o "New York Times" noticiou esta terça-feira que, após surgirem as primeiras suspeitas de ingerência russa na campanha presidencial dos EUA, as agências secretas e outras autoridades norte-americanas interceptaram telefonemas "recorrentes" entre pessoas próximas do candidato Trump e outras ligadas ao governo russo.

De acordo com quatro fontes sob anonimato, registos telefónicos e chamadas interceptadas pelas agências de informação mostram que membros da campanha de Trump e outras figuras associadas ao agora Presidente mantiveram "repetidos contactos" com altos funcionários das agências secretas russas antes da ida às urnas em novembro. É mais uma acendalha na fogueira de suspeitas sobre a ingerência russa nas eleições a favor de Trump, a juntar a outras informações avançadas no último mês como a existência de um dossiê com pormenores escabrosos sobre o Presidente que o FSB (ex-KGB) terá compilado nos últimos anos para o manter sob controlo.