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Internacional

Israel-Palestina. Fonte da administração Trump sugere que solução de dois Estados pode ser abandonada

Netanyahu aterrou em Washington DC na terça-feira para primeira reunião com Trump desde a tomada de posse

MANDEL NGAN

Primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, é recebido esta quarta-feira na Casa Branca para discutir a prometida e controversa relocalização da embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém, a expansão dos colonatos ilegais nos territórios palestinianos, a guerra na Síria e o acordo nuclear com o Irão

O Presidente dos Estados Unidos recebe esta quarta-feira na Casa Branca o primeiro-ministro de Israel, naquele que é o primeiro encontro oficial de Donald Trump com Benjamin Netanayhu desde que o primeiro tomou posse a 20 de janeiro — e um que pode marcar uma viragem na política norte-americana em relação ao Médio Oriente e definir o futuro da região para os próximos anos.

Entre os tópicos em discussão vão contar-se a expansão dos colonatos hebraicos nos territórios palestinianos ocupados por Israel, ilegal aos olhos da comunidade internacional, o acordo nuclear que a anterior administração de Barack Obama alcançou com o Irão (que tanto Trump como Benjamin Netanyahu condenam), a guerra em curso na Síria há quase seis anos e a controversa proposta do novo governo norte-americano de mudar a sua embaixada em Israel de Telavive, capital de facto do Estado hebraico, para a disputada cidade de Jerusalém.

Na terça-feira, após a chegada de Netanayhu a Washington DC, o porta-voz da Casa Branca declarou aos jornalistas que Trump está a trabalhar para alcançar um acordo abrangente que ponha fim ao dito conflito israelo-palestiniano. "O caminho rumo a esse objetivo também vai ser discutido entre o Presidente e o primeiro-ministro", avançou Sean Spicer.

Uma fonte da Casa Branca de Trump citada pela Al-Jazeera avançou na terça-feira que o caminho pode passar por enterrar a solução de dois Estados, um dos grandes alicerces da estratégia das sucessivas administrações norte-americanas em relação a Israel e à Palestina ocupada, que propõe a existência de dois Estados, um hebraico e um palestiniano, a viverem lado a lado e em paz. A fonte diz que, apesar de Trump apoiar o objetivo da paz, a solução pode não passar pela criação de dois Estados independentes como os seus antecessores sempre defenderam.

A sugestão está em linha com a postura de vários membros do novo aparato diplomático norte-americano na era Trump, como é o caso de David Friedman, nomeado embaixador dos EUA em Israel, que não só defende a relocalização da embaixada para Jerusalém como diz não ver qualquer ilegalidade na expansão dos colonatos hebraicos nos territórios ocupados.

O plano de Trump para alterar a morada da embaixada promete enfurecer não só a Autoridade Palestiniana como todo o mundo árabe e deverá ser um dos principais tópicos de discussão entre os dois líderes esta quarta-feira à tarde.

Apesar de garantir que está empenhado na solução de dois Estados desde que tomou posse em 2009, Netanayhu tem estado a alimentar a ideia de um "Estado menor", sugerindo que os palestinianos podem ter autonomia mas não total soberania. O outro lado reivindica há várias décadas a criação de um Estado independente composto pela Cisjordânia e a Faixa de Gaza, com a capital em Jerusalém Oriental — parte da cidade disputada entre ambos, que foi ocupada por Israel na sequência da guerra de 1967.

"Esta não é uma política responsável e não serve a causa da paz", acusa Hanan Ashrawi, do comité executivo da Organização para a Libertação da Palestina. A postura da administração Trump sobre a solução de dois Estados "não faz sentido", "eles não podem simplesmente dizer isto sem apresentar uma alternativa", acrescenta a oficial citada pela Al-Jazeera.

Netanyahu, que está a ser alvo de uma investigação pela procuradoria israelita por alegado abuso de poder, passou grande parte de terça-feira reunido com conselheiros da nova administração em Washington para preparar o encontro desta quarta-feira com Trump. A reunião entre os dois líderes deverá ter uma duração de duas horas. Na quinta-feira, o primeiro-ministro israelita vai tomar o pequeno-almoço com o vice-presidente, Mike Pence, antes de regressar a Israel.