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Internacional

Governo francês ameaça “retaliar” se algum país interferir nas eleições presidenciais

RONI REKOMAA/AFP/Getty Images

O ministro dos Negócios Estrangeiros alertou que a França não vai “aceitar qualquer interferência” nas presidenciais, referindo-se à intromissão russa nas eleições norte-americanas. Também o Presidente, François Hollande, pediu esta quarta-feira que sejam tomadas medidas específicas de vigilância e proteção, nomeadamente em matéria de cibersegurança, durante a campanha

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Marc Ayrault, declarou que o país não vai tolerar qualquer interferência externa nas próximas eleições presidenciais, dirigindo-se expressamente aos dirigentes da Federação Russa, depois de os serviços secretos norte-americano terem acusado Moscovo de favorecer Donald Trump.

“Não vamos aceitar qualquer interferência, seja qual for, no nosso processo eleitoral, tanto da Rússia como de qualquer outro Estado”, declarou o ministro. “Depois do que aconteceu nos EUA, é nossa responsabilidade dar todos os passos necessários para garantir que a integridade do nosso processo democrático é totalmente respeitada”, afirmou esta quarta-feira no parlamento.

O aviso ocorreu depois de assessores de um dos principais candidatos franceses terem acusado, esta semana, a Rússia de atacar a sua candidatura. Um porta-voz do candidato pró-europeu Emmanuel Macron acusou Moscovo de estar por trás de uma série de ataques cibernéticos ao sítio na internet e aos servidores da campanha de Macron no último mês.

“Metade destes ataques, e houve centenas por dia, vieram da Ucrânia, que é conhecida pelas suas ligações aos piratas informáticos e às pessoas que dirigem estes ataques na Rússia”, afirmou Benjamin Griveaux, acusando o Kremlin de procurar favorecer o candidato conservador Francois Fillon e a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen. Fillon e Le Pen defendem laços mais próximos com a Rússia.

Já o Presidente francês, François Hollande, em comunicado, pediu esta quarta-feira aos ministros que integram o Conselho de Defesa e Segurança Nacional para lhe apresentarem, na próxima semana, um plano que permita evitar ciberataques durante a campanha presidencial. A iniciativa é feita num contexto de suspeitas de interferência da Rússia nas eleições de novembro nos Estados Unidos e depois de o candidato independente às presidenciais francesas, Emmanuel Macron, denunciar tentativas de interferência semelhantes.

A Rússia, no entanto, nega todas as acusações.