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Fóssil de réptil marinho altera dados sobre a evolução do sistema reprodutivo

Pensava-se que o Dinocephalosaurus, que viveu há 245 milhões de anos, punha ovos, mas fóssil descoberto na China confirma que dava à luz bebés vivos

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

O Dinocephalosaurus dava à luz bebés vivos em vez de pôr ovos. Esta revelação científica tornou-se possível graças à descoberta de um fóssil deste réptil comedor de peixe que foi encontrado no sudoeste da China, escreve a agência Reuters, referindo um estudo publicado no diário “Nature Communications”. A descoberta é significativa ao ponto de alterar o entendimento do modo como evoluiu o sistema reprodutivo dos vertebrados.

Até agora, os investigadores pensavam que o temível réptil marinho punha ovos, tal como os pássaros e os crocodilos, que são seus parentes distantes. Porém, a descoberta dos restos de um(a) espécime de Dinocephosaurus grávida com 245 milhões de anos revela que o réptil dava à luz bebés vivos.

“Esta é a primeira prova de sempre do nascimento de um ser vivo a partir de um animal que estava classificado num grupo que antes se pensava só pôr ovos”, declarou o líder da investigação, Jun Liu, um professor de paleontologia da Universidade de Tecnologia Hefei, na China, citado pela “Live Science”. Liu referia-se ao grupo de vertebrados archosauromorphos, que inclui pássaros, crocodilos, dinossauros e répteis voadores extintos, que se reproduziam deste modo.

Estima-se que este Dinocephalosaurus desenterrado na província chinesa de Yunnan tinha quatro metros de comprimento, incluindo um pescoço fino de 1,70 cm, declarou o líder da investigação. Além de nadadeiras em forma de pá, o animal fossilizado tinha uma cabeça pequena com uma boca com dentes entre os quais grandes caninos, ideais para desfazerem o peixe.

“Acho que ficaria espantado ao ver aquela cabeça pequena e o pescoço de cobra”, disse Mike Benton, paleontologista da Universidade de Berkeley, que também participou na investigação. A estrutura do corpo encontrado em fóssil é semelhante à do plesiosauro, um réptil marinho de pescoço comprido parente do mítico Monstro de Loch Ness na Escócia. Essa espécie desenvolveu-se na era dos dinossauros, ainda que não fossem parentes diretos, lê-se na edição desta quarta-feira do diário “The Guardian”.

A investigação lembra ainda que não pôr ovos era vantajoso para o Dinocephalosaurus porque prova que a criatura era totalmente marinha. Não era obrigada a deixar o oceano para pôr os ovos em terra expondo-os aos predadores, como acontece com as tartarugas marinhas.