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Condenado o autor de um crime que ficou 38 anos por resolver

Em 1979, Pedro Hernandez sequestrou e matou Etan Patz, em Nova Iorque O corpo do menino de 6 anos nunca foi encontrado

Foram necessários quase 40 anos para se fazer justiça, mas o veredito de culpado foi esta quarta-feira dirigido a Pedro Hernandez num tribunal de Nova Iorque, colocando um ponto final no caso de Etan Patz, o menino de 6 anos sequestrado e morto em 1979.

O desespero dos pais perante o desaparecimento do filho, visto pela última vez quando caminhava sozinho em direção a uma paragem de autocarro no atualmente conhecido como bairro do SoHo, em Manhattan, e a persistência dos investigadores, durante anos, sem encontrarem qualquer pista, manteve o caso como um dos que mais impressionaram os Estados Unidos.

Nunca se encontrou o corpo do menino e, apesar de terem sido nomeados vários suspeitos, pedidos testemunhos e abertos diferentes caminhos de investigação, nenhuma prova realmente conclusiva permitiu resolver o mistério.

Só em 2012 se vislumbrou uma resposta, quando o cunhado de Hernandez contactou as autoridades por suspeitar ser ele o responsável pelo crime. Detido, Hernandez acabaria por confessar e descreveu como convencera Patz - que identificou através de fotos - a entrar no armazém onde então trabalhava, tendo-o asfixiado e escondido o corpo numa caixa.

A admissão da culpa não chegou, porém, para o condenar. Perante a falta de provas, ‘buracos’ inexplicáveis na reconstituição dos factos e a ausência do corpo, em 2015, após um julgamento que durou quatro meses, os jurados falharam a unanimidade para o considerar culpado. Vingou a argumentação da defesa, que sublinhou os problemas mentais do suspeito e a sua escassa inteligência, aspetos que foram considerados suficientes para por em causa o seu próprio testemunho.

O caso voltou a ser aberto em outubro de 2016, aprofundando detalhes da confissão, e Hernandez, agora com 56 anos, voltou a sentar-se no banco dos réus. Foi declarado culpado, enfrentando uma pena que pode ir aos 25 anos de cadeia (saber-se-á a 28 de fevereiro).

Para os pais de Etan Patz resta o consolo de se ter feito “um pouco de justiça”, tornando oficial aquilo que eles sempre acreditaram: que Hernandez matara o seu filho.