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Internacional

Centenas de detidos na Turquia por suspeita de ligações a militantes curdos

Sean Gallup/Getty Images

Estas detenções ocorrem cerca de dois meses antes do referendo em que os turcos são chamados a votar alterações na Constituição. Desde o golpe de Estado falhado de 15 de julho, mais de 100 mil pessoas foram detidas ou suspensas pelo regime de Erdogan

A polícia turca deteve mais de 600 pessoas nos últimos dois dias, suspeitas de estarem ligadas a militantes curdos. Só esta terça-feira foram detidas 86, acusadas de pertencerem ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), avança a agência de notícias estatal, citada pela Reuters.

Estas detenções ocorrem cerca de dois meses antes do referendo em que os turcos são chamados a votar alterações na Constituição, que passam pela substituição do regime parlamentar por um presidencialista. Recep Tayyip Erdogan pretende concentrar mais poderes e tem defendido esta semana, durante a campanha, que a vitória do 'não' no referendo será dar razão ao PKK, considerado por Ancara um grupo terrorista, e aos “golpistas”.

Desde o golpe de Estado falhado de 15 de julho, mais de 100 mil pessoas foram detidas ou suspensas pelo regime de Erdogan. O regime tem procurado afastar todos os apoiantes de Fethullah Gulen, um clérigo muçulmano que se encontra exilado nos EUA e que é apontado pelo Presidente turco como o mentor da tentativa de golpe. No entanto, Gulen tem negado “categoricamente” a acusação, garantindo que se opõe ao uso da força para a queda do governo.

Cerca de cinco mil membros do Partido Democrático do Povo (HDP na sigla turca), pró-curdo, também foram detidos durante este período. O executivo turco acusa o HDP de constituir uma extensão política do PKK. O HDP recusa, contudo, tais acusações e sustenta que as detenções levadas a cabo pelo regime de Erdogan visam a vitória do 'sim' na consulta popular agendada para 16 de abril.