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“Idiotice de Trump” é boa para o mundo, diz líder do Hezbollah

PATRICK BAZ / AFP / Getty Images

“É o princípio da liberdade para os oprimidos do mundo”, acrescenta Hassan Nasrallah

Luís M. Faria

Jornalista

Aquela parte do mundo que considera Donald Trump um Presidente ignorante – e com outras características pessoais, por exemplo a hipersensibilidade, muito pouco adequadas ao cargo que ocupa – acha tudo isso alarmante. Não o líder do Hezbollah. Hassan Nasrallah, secretário-geral do grupo político e militar que os Estados Unidos e União Europeia designam como terrorista, vê com otimismo a ascensão do atual comandante-chefe dos EUA.

Num discurso televisivo, Nasrallah congratulou-se por Trump revelar “a verdadeira face da administração americana”, uma face “feia, injusta, criminosa e racista”, segundo ele. “E se Trump vier? Qual é a novidade?”, acrescentou. “Não estamos preocupados mas muito otimistas, pois quando um idiota reside na Casa Branca e se gaba da sua idiotice, isso é o princípio da liberdade para os oprimidos do mundo”.

São afirmações provocatórias, que não surgem no vazio. Nas últimas semanas, Trump multiplicou as declarações agressivas contra o principal aliado do Hezbollah – o Irão –, em especial depois de Teerão ter testado um míssil balístico. Embora os iranianos garantam que o objetivo não foi enviar uma mensagem aos EUA, houve quem entendesse assim e este sábado Trump voltou a ameaçar o Presidente iraniano.

Na véspera, cantos de “Morte à América!” e “Morte ao Triângulo Demoníaco!” (com retratos de Trump, Netanyahu e Theresa May) foram repetidos em manifestações no Irão. Perante grandes multidões, vários líderes religiosos reiteraram a fidelidade à República Islâmica e rejeitaram quaisquer tentativas de a intimidar.

O líder iraniano Hassan Rouhani diz que “certas figuras inexperientes na região e na América estão a ameaçar o Irão. Já deviam saber que a linguagem das ameaças nunca funcionou”. Foi na sequência destas palavras que o Presidente norte-americano emitiu o seu aviso. “É melhor ele ter cuidado”, disse Trump, que desde há muito contesta (tal como Israel) o acordo sobre o programa nuclear iraniano negociado pela administração Obama.