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Equipa de Macron acusa Rússia de tentar piratear sistema informático da campanha

Emmanuel Macron e Richard Ferrand

FRED TANNEAU/AFP/Getty Images

“Há centenas, senão milhares, de ataques, que por acaso têm origem na fronteira russa, ao nosso sistema informático, ao nosso banco de dados e aos nossos sites”, disse o deputado socialista Ferrand à France 2 TV, citado pelo “Politico”

Um deputado socialista e responsável pela campanha eleitoral de Emmanuel Macron às presidenciais francesas acusou a Rússia de uma tentativa de invadir os sistemas de computador da campanha eleitoral. Richard Ferrand denunciou ainda que os media apoiados pelo Kremlin estão a espalhar desinformação e “notícias falsas” para denegrir a imagem do candidato francês devido à sua posição europeísta.

“Queremos uma Europa forte. É por isso que estamos a sofrer ataques de vários sites de informação que pertencem ao Estado russo”, declarou Ferrand. “Pedimos às autoridades mais altas do Estado francês para garantirem que não há intromissão russa na campanha”, sublinhou ainda o socialista, que relacionou a situação na França com a que ocorreu durante a campanha da candidata democrata Hillary Clinton.

Para além das alegadas informações falsas, escreve o “Politico”, os media russos estão ainda a publicar diariamente dezenas de histórias negativas e editoriais sobre o candidato francês. Alguns destes artigos têm como base documentos do Wikileaks, que dão conta de supostas ligações entre Macron e Clinton. Por outro lado, alguns editoriais acusam o francês de estar ao serviço dos grandes bancos.

Emmanuel Macron como um candidato novo e estranho – uma fraude completa” foi um dos 13 artigos negativos sobre Macron publicados este mês pelo órgão de comunicação russo em língua francesa RT, no passado dia 3 de fevereiro. No mesmo período de tempo, segundo o “Politico”, mais de dez artigos falavam sobre Le Pen, já num tom positivo ou neutro.

Observadores da Rússia afirmam que Moscovo está a empregar muitos recursos – quer através de ciberataques, quer através de uma cobertura mediática tendenciosa – para fazer as eleições penderem a favor da candidata de extrema-direita (e dado que a campanha do candidato Fillon tem sofrido com o alegado caso dos escândalos de pagamentos indevidos).

“Estamos a ver um investimento sem precedentes [de Moscovo] na França, o qual é uma parte de um esforço mais alargado da Rússia para promover os seus interesses no Ocidente", disse Julian Nocetti, especialista russo do think tank Instituto Francês das Relações Internacionais, citado pelo “Politico”.

A três meses da primeira volta das eleições francesas, as autoridades estão em alerta máximo. O Presidente François Hollande ainda não se pronunciou sobre o possível ataque, mas vai reunir nos próximos dias para debater preocupações sobre ciberataques e interferências, informou o jornal “Le Canard Enchainé”, na semana passada.

  • Os ‘bots’ da Rússia vão ajudar Le Pen a vencer as presidenciais em França?

    Agência secreta francesa acredita que o governo de Vladimir Putin está empenhado em interferir nas eleições de abril e maio para influenciar os resultados a favor da candidata de extrema-direita. É o mesmo receio que, há uma semana, levou as autoridades holandesas a decidirem contar à mão os votos das legislativas de março, para impedir interferências no software “vulnerável” utilizado pela Comissão Eleitoral – isto numa altura em que Geert Wilders, líder da extrema-direita no país, soma e segue nas sondagens de opinião