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Internacional

Daesh estará prestes a destruir o que resta de Palmira

As colunas do Tetrapylon, construído em Palmira entre os séculos I e II, terão sido completamente dizimadas pelos jiadistas, a crer nas mais recentes imagens aéreas do local reveladas pela Rússia

JOSEPH EID / AFP / Getty Images

O grupo terrorista reconquistou a cidade síria no final do ano passado e tem prosseguido a delapidação das ruínas reconhecidas pela UNESCO como Património da Humanidade. As colunas do Tetrapylon e a parte central do famoso teatro romano já não existem

Luís M. Faria

Jornalista

O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) continua a destruir a cidade antiga de Palmira. A informação vem do Ministério da Defesa russo, e baseia-se em imagens tiradas a partir do ar, as quais mostram as depredações contínuas cometidas pelo grupo terrorista desde que em dezembro reconquistou a cidade, cujos míticos monumentos datam do século 3 d.C..

Além de derrubar as colunas do Tetrapylon, um edifício quadrado junto à entrada da cidade, o movimento jiadista danificou gravemente a parte central do famoso teatro romano, e parece estar a preparar-se para destruir o que resta. A diretora da UNESCO, Irina Bokova, recorda que esses atos são considerados crimes de guerra.

"Detetámos um aumento do movimento de camiões junto da antiga cidade à medida que as tropas sírias avançam com sucesso sobre Palmira", diz o comunicado russo agora emitido. "Isto indica que o Daesh quer trazer explosivos para causar máximo dano às relíquias arquiteturais ainda existentes antes de voltar a partir".

O Daesh tinha destruído outras partes da cidade quando a ocupou originalmente em 2015, nomeadamente o Templo de Bel e o Arco da Vitória. Mas em março de 2016 o exército sírio, ajudado pelos russos, conseguiu expulsar o grupo. Nessa altura, a Orquestra do Teatro Mariinsky, dirigida por Valery Gergiev, chegou a dar um concerto no teatro romano.

Entretanto, como os esforços militares se concentraram na cidade de Alepo –sugerindo que o objetivo maior não é derrotar os terroristas, mas os opositores de Bashar al-Assad – o Daesh ficou com o caminho livre para reconquistar Palmira. Assim aconteceu há dois meses, e os resultados estão à vista.