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Tornar a China grande outra vez

Revolução. Dezenas de novos arranha-céus mudam continuamente a paisagem urbana da China. Há cidades inteiras construídas de raiz

FOTO MARTIN PUDDY/GETTY images

Xi Jinping é considerado o “COE” da China — “Chairman of Everything”, presidente de tudo. Com a chegada de Trump à Casa Branca, quer assumir a liderança do mundo

António Caeiro

O mais recente filme do realizador chinês Zhang Yimou, estreado em dezembro em Pequim, com Matt Damon e outras estrelas de Hollywood nos principais papéis, chama-se “Chang Cheng” (“A Grande Muralha”). Maior fortificação do planeta, com mais de 8 mil quilómetros de extensão, a Grande Muralha da China é apresentada no filme como “uma das grandes maravilhas da Humanidade” e “a única barreira que mantém o mundo em segurança”. A ação passa-se na dinastia Song (séculos X a XIII), quando o país era ciclicamente atacado por uma horda de monstros. É ficção, claro: os taotie, a estranha espécie de lagartos gigantes filmada por Zhang Yimou, nunca existiram. Mas quase um milénio depois, a China aparece de novo a comandar a Humanidade, desta vez contra o protecionismo comercial. “Se alguém disser que a China está a assumir a liderança do mundo, eu digo que não é a China que se está a chegar à frente, mas foram antes os do pelotão da frente que recuaram, deixando o lugar à China”, explicou um alto funcionário chinês acerca da inédita intervenção do Presidente Xi Jinping no Fórum Económico Mundial de Davos, em janeiro passado.

“Devemos continuar empenhados no desenvolvimento global do comércio livre e do investimento”, defendeu o líder chinês. “Adotar o protecionismo”, acrescentou, “é como uma pessoa fechar-se num quarto escuro. O vento e a chuva ficarão lá fora, mas o quarto escuro bloqueará também a luz e o ar.” Alguns dias depois, em Pequim, o primeiro-ministro, Li Keqiang, precisou a mensagem de Xi: “Num mundo com excesso de incertezas, a China oferece uma âncora de estabilidade e crescimento.” Sinal dos tempos, no início deste ano, a CCTV News — o canal internacional de notícias da Televisão Central da China, emitido em inglês 24 horas por dia — mudou o nome para China Global Television Network (CGTN). A mudança foi apadrinhada pelo próprio Presidente chinês. “As relações entre a China e o resto do mundo estão a passar por históricas transformações. A China precisa de conhecer melhor o mundo, e o mundo precisa de conhecer melhor a China”, escreveu Xi Jinping numa mensagem aos profissionais da estação.

Justiça Filho de um general que chegou a vice-primeiro-ministro, Xi Jinping é o rosto da maior campanha anticorrupção na história do Partido Comunista Chinês

Justiça Filho de um general que chegou a vice-primeiro-ministro, Xi Jinping é o rosto da maior campanha anticorrupção na história do Partido Comunista Chinês

FOTO JANERIK HENRIKSSON/AFP/GETTY IMAGES

O governo chinês continua a bloquear o acesso ao Facebook, ao Twitter, ao YouTube e a outros sites globalmente muito populares, mas isso não estava em discussão em Davos, nem a elite ali reunida pretenderia perturbar o Fórum com alusões à “Grande Firewall da China”. Apesar do abrandamento geral, a economia chinesa cresceu 6,7% em 2016 — o mais baixo aumento dos últimos 26 anos, mas muito acima do 1,6% previsto para a zona euro. Detentora das maiores reservas cambiais do planeta, no valor de 3,1 biliões de dólares, a China tornou-se também um grande investidor fora das suas fronteiras. Em 2016, o investimento chinês na União Europeia somou 35 mil milhões de euros — um aumento de 77% em relação ao ano anterior. A Alemanha é o principal destino desse capital, seguida do Reino Unido e da França. Antes de uma empresa chinesa pagar 9 mil milhões de dólares pela Pirelli italiana, Portugal estava no quarto lugar.

A criação do Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas, em 2015, já tinha evidenciado o poder financeiro da China. Foi a primeira instituição financeira internacional promovida por Pequim, com um capital inicial de 50 mil milhões de dólares. Os Estados Unidos opuseram-se. Vista de Washington, a iniciativa parecia uma alternativa ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, dois organismos sedeados nos Estados Unidos e presididos habitualmente por norte-americanos e europeus. O Japão acompanhou os Estados Unidos, mas quase todos os outros grandes países, da Alemanha ao Reino Unido, acabaram por entrar. Portugal e Brasil também.

“a ditadura perfeita”

A ascensão da China é igualmente evidente no plano político. Quantos governantes europeus ousam hoje encontrar-se com o Dalai Lama ou pedir a libertação de Liu Xiaobo, o Prémio Nobel da Paz 2009, preso há mais de oito anos e condenado por “atividades subversivas” depois de ter divulgado na internet um abaixo-assinado apelando à “eleição direta de todos os órgãos legislativos” e ao “fim do regime de partido único”? O romancista Mo Yan e a cientista Tu Youyou foram entretanto distinguidos pela Academia Sueca, mas as relações da China com a Noruega, o país onde é atribuído o Nobel da Paz, estiveram congeladas até dezembro passado.

“Na era pós-Guerra Fria, nenhuma autocracia tem sido tão bem-sucedida como o Partido Comunista Chinês”, assinalou o professor Minxin Pei, especialista em política chinesa, radicado nos Estados Unidos. Um outro académico, o professor Stein Ringen, da Universidade de Oxford, chamou-lhe mesmo “A Ditadura Perfeita”. Não é um título insultuoso: o regime definido no primeiro artigo da Constituição chinesa intitula-se “ditadura democrática popular”. Contra muitas aparências, a China é, oficialmente, “um Estado socialista liderado pela classe trabalhadora e assente na aliança entre operários e camponeses”.

Em menos de quatro décadas, cerca de 700 milhões de chineses — mais do que toda a população da União Europeia — saíram da pobreza. No espaço de apenas uma geração, o antigo Reino das Bicicletas transformou-se no maior mercado automóvel do mundo. Só Pequim tem hoje quase 6 milhões de veículos — mais do que um por cada quatro habitantes do município. Milhares de famílias da nova classe média investem na Bolsa, passam férias fora da China, compram casas no estrangeiro e educam os filhos nas melhores universidades ocidentais, sobretudo nos Estados Unidos. No topo da pirâmide, a revista “Forbes” contabilizou no ano passado 568 bilionários (pessoas com mais de mil milhões de dólares), outro recorde retirado aos Estados Unidos. Wang Jianlin, o mais rico de todos os chineses, com uma fortuna avaliada em 33 mil milhões de dólares, é filiado no Partido Comunista. O segundo da lista, Jack Ma, patrão do grupo de comércio eletrónico Alibaba, optou pela independência. Pelo menos é isso que ensina aos seus quadros: “Namorem com o governo, mas não casem com ele.” Guo Guangchang, o presidente do grupo Fosun — consórcio de Xangai que detém a seguradora Fidelidade, o antigo Hospital da Luz e 16,7% do capital do Millennium BCP —, figura em 22º lugar, com 6 mil milhões de dólares.

Dezenas de arranha-céus mudam continuamente a paisagem urbana da China. Uma revolução de cimento e ferro, cidades inteiras construídas de raiz onde outrora não havia nada. Mais autoestradas, novos aeroportos e linhas de metropolitano. A rede ferroviária de alta velocidade já atingiu cerca de 20 mil quilómetros de extensão e dentro de quatro anos chegará aos 30 mil. O preço ambiental deste milagre também é elevado. Em muitas cidades do norte da China, incluindo a capital, o nível de poluição excede frequentemente os máximos recomendados pela Organização Mundial de Saúde. O pior — um autêntico “apocalipse” — é no inverno, quando as centrais a carvão trabalham a todo o vapor para alimentar o sistema de aquecimento central. São dias e dias sem sol, com céu cinzento e escolas proibidas de organizar atividades ao ar livre. Não era bem isso o que o socialismo prometia.

Juntamente com a corrupção e as crescentes desigualdades sociais, a poluição é uma das maiores fontes de descontentamento popular na China. Na área dos direitos humanos, que aparentemente já não é um tema de fricção com os governos democráticos ocidentais, também não faltam razões de queixa. “Há poucos sinais de que o PCC tencione mudar a sua postura autoritária”, afirma a Human Rights Watch, uma ONG sedeada em Nova Iorque. Segundo a organização, a liderança chinesa “rejeita explicitamente a universalidade dos direitos humanos, caracterizando essa ideia como uma ‘infiltração estrangeira’ e penalizando os que a promovem”. Mais de duas centenas de ativistas, entre os quais vários advogados, foram detidos nos últimos dois anos, denunciou a Human Rights Watch.

FOTO NIKADA/GETTY images

Popularidade. Há dez anos, quando Xi Jinping ascendeu à cúpula do poder — o Comité Permanente do Politburo —, a China não era o país que é hoje. E ele era menos conhecido do que a mulher, a cantora Peng Liyuan

Popularidade. Há dez anos, quando Xi Jinping ascendeu à cúpula do poder — o Comité Permanente do Politburo —, a China não era o país que é hoje. E ele era menos conhecido do que a mulher, a cantora Peng Liyuan

FOTO JOHANNES EISELE/AFP/GETTY IMAGES

“O mais importante direito humano é o direito ao desenvolvimento”, contrapõe o PCC. Na justiça como no resto, o “papel dirigente” do partido é “um princípio cardial”. Há duas semanas, o presidente do Supremo Tribunal do Povo, Zhou Qiang, exortou os magistrados chineses “a resistir energicamente à errónea influência do Ocidente” e em particular — precisou — às ideias de “democracia constitucional”, “separação de poderes” e “independência judicial”. Ex-primeiro-secretário da Liga da Juventude Comunista, nascido em 1960, Zhou Qiang é membro do Comité Central do PCC.

Mas também há boas notícias. A impopular política de controlo da natalidade imposta no início da década de 1980 foi abolida no ano passado. Os casais urbanos já podem ter dois filhos, o que levará a contrariar o acelerado envelhecimento do país. Devido à política de “um casal, um filho”, em 2012, a população ativa começou a diminuir e cerca de 200 milhões de chineses já tinham mais de 60 anos, a idade da reforma para os homens (para as mulheres é aos 55).

o “príncipe vermelho”

Secretário-geral do PCC, nascido em 1953, Xi Jinping é considerado o mais forte líder chinês das últimas duas décadas e, se tudo correr como previsto, deverá manter-se no poder até pelo menos 2022. De acordo com o plano, nessa altura a China já será “uma sociedade moderadamente próspera”, com um PIB per capita superior a 12 mil dólares, e o número de chineses a viver abaixo da linha de pobreza — estimado atualmente em cerca de 50 milhões (menos de 5% da população) — cairá para zero. Estará assim cumprida a meta fixada para o primeiro dos “dois centenários” da agenda política interna: fundação do Partido Comunista Chinês, em 2021, e da República Popular da China, em 2049.

O tempo, para a liderança chinesa, obedece a um calendário próprio. Além daquele “duplo centenário”, há outra data especialmente simbólica: 2024. O PCC completará então 75 anos no poder, mais do que o Partido Comunista da antiga União Soviética, demonstrando que a abertura política e a liberdade defendidas pelo “traidor” Gorbatchov não asseguram a prosperidade económica. Basta ver os telejornais da CCTV difundidos para o público chinês: nos poucos minutos dedicados à atualidade internacional, o mundo parece um caos, mergulhado em tumultos, violência, crise económica e política. Também em 2024, a atual Estacão Espacial Internacional já deverá estar desativada, e a única estrutura do género em órbita da Terra será made in China e comandada por astronautas chineses.

Depois de conquistar a chefia do partido, em novembro de 2012, Xi Jinping assumiu mais dois cargos: Presidente da República e da Comissão Militar Central. Além disso, chefia a Comissão Nacional de Segurança, um novo órgão, e vários “grupos dirigentes”, nomeadamente sobre “o aprofundamento das reformas” e a administração do ciberespaço. Em outubro passado, o Comité Central designou-o “núcleo” da direção, confirmando a gradual erosão da ideia de liderança coletiva cultivada desde a morte de Mao Zedong e o lançamento da política de Reforma Económica e Abertura ao Exterior, há quase 40 anos. Um conhecido sinólogo australiano, Geremie Barmé, chamou-lhe “COE” da China — “Chairman of Everything”, presidente de tudo.

Como os antecessores, Xi Jinping é uma figura enigmática. Há dez anos, quando ascendeu à cúpula do poder — o Comité Permanente do Politburo, composto por sete dos 90 milhões de filiados no PCC —, era menos conhecido do que a mulher, a cantora Peng Liyuan. Diz-se que “é um grande adepto de futebol”, e nas vésperas do Mundial de 2014, ao receber em Pequim o Presidente português, Cavaco Silva, mostrou que estava a par do talento de C Luo (Cristiano Ronaldo). Regra geral, tudo o que Xi Jinping faz ou diz é notícia de abertura dos telejornais, mas ele raramente dá entrevistas, e quando as dá é quase sempre por escrito. (Na única conferência de imprensa anual do primeiro-ministro, com a participação de correspondentes estrangeiros, as perguntas são também previamente acordadas com as autoridades.)

Filho de um general que chegou a vice-primeiro-ministro, o atual secretário-geral do PCC é um “príncipe vermelho”. Sob a sua direção, a China embarcou numa campanha anticorrupção sem precedentes na história do partido. Dezenas de líderes com categoria de vice-ministro ou superior foram presos. Aparentemente, as massas populares gostaram de ver. “Xi Dada”, o Tio Xi, revelou-se “um homem valente”.

getty

História. O mais caro filme jamais rodado na China tem por título “Chang Cheng” (“A Grande Muralha”). Matt Damon, o principal protagonista, interpreta um mercenário britânico que se oferece para combater ao lado da China

História. O mais caro filme jamais rodado na China tem por título “Chang Cheng” (“A Grande Muralha”). Matt Damon, o principal protagonista, interpreta um mercenário britânico que se oferece para combater ao lado da China

d.r.

Pela primeira vez desde a fundação da República Popular, um antigo chefe da Segurança, Zhou Yongkang, que tutelou os tribunais, as forças de polícia e os serviços de informação, está agora atrás das grades, condenado a prisão perpétua. A campanha, conduzida pela Comissão Central de Disciplina do partido e não por qualquer organismo judicial, atingiu também dois dos mais poderosos generais do país: Xu Caihou e Guo Boxiong, ambos ex-vice-presidentes da Comissão Militar Central. Das forças armadas às universidades, passando por algumas das maiores empresas estatais, nenhuma instituição escapou. O próprio “Diário do Povo”, o órgão central do PCC, não estava imunizado contra a corrupção. No total, mais de um milhão de pessoas — “moscas” (pequenos funcionários), mas também “tigres” (altos quadros dirigentes), como prometera Xi Jinping — foram punidas ao longo dos últimos quatro anos.

O antecessor de Xi Jinping, Hu Jintao, já tinha avisado: “A corrupção poderá ser fatal para o partido e até causar o colapso do partido e a queda do Estado.” Por coincidência, um dos mais próximos colaboradores de Hu Jintao, o diretor da Secretaria-Geral do Comité Central, Ling Jihua, seria também condenado a prisão perpétua, acusado de ter aceitado subornos no valor de 77 milhões de yuans (cerca de 10 milhões de euros).

estatuto de superpotência

Xi Jinping foi o primeiro secretário-geral do PCC a discursar no Fórum de Davos. Para os organizadores, a participação do Presidente chinês propiciou mesmo a “grande história” da reunião e atribuiu à China “um novo papel de liderança”. Xi não desiludiu. Além de provérbios chineses, citou Charles Dickens, Klaus Schwab (presidente do Fórum) e o fundador da Cruz Vermelha, o suíço Henri Dunant, galardoado em 1901 com o Prémio Nobel da Paz. Um mês antes, em Pequim, numa conferência sobre “trabalho político e ideológico nas universidades”, Xi Jinping salientou que “as instituições de ensino superior são escolas socialistas com características chinesas e por isso devem seguir as orientações do Marxismo” (marxismo com letra grande, conforme o relato da imprensa oficial). A sua filha, Xi Mingze, estudou em Harvard, mas isso é outra história, partilhada por boa parte da nomenclatura chinesa. Um neto de Deng Xiaoping, o “arquiteto-chefe das reformas” que transformaram a China na segunda economia mundial, acabou por nascer nos Estados Unidos, podendo por isso adquirir a nacionalidade norte-americana.

“Make America great again!” Quatro anos antes de Donald Trump assumir a presidência dos Estados Unidos, Xi Jinping anunciou aos seus compatriotas um desígnio parecido: “o grande rejuvenescimento da nação chinesa”. Ele não disse “a China em primeiro lugar”. Isso iria contra a modéstia ensinada por Confúcio e, em certo sentido, seria até pleonástico. Segundo Yan Xuetong, um professor de Ciências Políticas doutorado na Califórnia, “a ascensão da China está garantida por natureza”. Nos últimos 2000 anos, argumenta aquele académico, “a China teve várias vezes o estatuto de superpotência”, e antes da Guerra do Ópio, em meados do século XIX, representava “30% do Produto Mundial Bruto”. Conclusão: “O declínio da China é um erro histórico que deve ser corrigido.”

Há vozes mais militantes. Na internet e na imprensa tradicional, uma nova geração de nacionalistas proclama que “o declínio do Ocidente é irreversível”. Dois artigos publicados no “Diário do Povo” após a posse de Trump espelham bem essa visão. “A emergência da crise social do capitalismo é a última prova da superioridade do socialismo e do Marxismo”, diz um dos artigos. “A democracia de estilo ocidental costumava ser historicamente reconhecida como uma força impulsionadora do desenvolvimento social, mas agora atingiu os seus limites. (...) A democracia está já refém dos [mercados de] capitais e tornou-se a arma para os capitalistas procurarem lucros”, afirma o outro artigo.

A nova veemência salta à vista sempre que se fala do estratégico Mar do Sul da China, uma das principais rotas do comércio mundial, entre o Índico e o Pacífico. Apesar dos protestos dos Estados Unidos, a China continua a reforçar a sua presença nos pequenos arquipélagos da região, cuja soberania é reivindicada também pelo Vietname, as Filipinas e outros países vizinhos. Taiwan — a ilha onde se refugiou o governo chinês depois de o PCC tomar o poder no continente, em 1949, e que Pequim considera uma província da China — é uma questão ainda mais sensível. Tratar a Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, por Presidente, só por si, é uma afronta. Taiwan “faz parte da China”, e Tsai Ing-wen é “líder de uma província chinesa” e não de uma entidade política soberana — ponto final. Presidente, na China, só há um — o camarada Xi Jinping. O governo chinês defende a “reunificação pacífica” com Taiwan segundo a mesma fórmula já adotada para Hong Kong e Macau, mas ameaça “usar a força” se a ilha declarar a independência.

No filme de Zhang Yimou, o mais caro jamais rodado na China, com um orçamento de 150 milhões de dólares, Matt Damon representa o papel de um mercenário britânico: “Nasci no meio de batalhas. Combati por ganância e por deuses”, diz a personagem. Mas perante a ameaça dos monstros taotie, oferece-se para lutar ao lado da China: “Esta é a primeira guerra por que vale a pena combater.”