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Internacional

Suíços aprovam naturalização mais rápida de quem lá vive há três gerações

Getty

A proposta foi aprovada por larga maioria em referendo, apesar da campanha feita por um partido anti-muçulmano

Luís M. Faria

Jornalista

Hoje foi dia de referendos na Suíça. Uma proposta para facilitar a naturalização de estrangeiros de terceira geração - aqueles que têm pelo menos um avô suíço - foi aprovada por larga maioria. Outra proposta, esta rejeitada, tinha a ver com a fiscalidade das empresas; pretendia-se acabar com o sistema que concede taxas mais baixas a empresas estrangeiras que investem no país. Finalmente, uma proposta sobre construção de infraestruturas foi aprovada, e uma outra foi rejeitada, num referendo efetuado ao nível de um único cantão, o de Graubenden, cujos votantes recusaram acolher os Jogos Olímpicos de Inverno, como aliás já tinham feito numa consulta anterior.

A proposta sobre naturalização foi de longe a mais discutida. O objetivo da regra agora aprovada é simplificar o acesso à nacionalidade Suíça, permitindo a membros de famílias que vivem no país há três gerações um processo acelerado, equivalente à aquele de que beneficiam os cônjuges de cidadãos suíços. Não é automático. Um candidato à naturalização tem de haver nascido na Suíça, estudado lá durante pelo menos cinco anos, ter menos de 25 de idade, falar uma das línguas nacionais, não viver de subsídios e partilhar os valores do país.

Cidadania descontrolada?

Embora tudo o que envolva a concessão de nacionalidade seja um assunto potencialmente delicado nesse país rico de apenas 8 milhões de habitantes, a proposta inicialmente não terá sido muito polémica. Isso só aconteceu quando o Partido Suíço do Povo (SVP), um partido anti-muçulmano que em 2009 conseguiu fazer aprovar a proibição de construir novos minaretes, começou a referir-se insistentemente ao perigo da 'islamização'. "Daqui a uma ou duas gerações, quem vão ser esses estrangeiros de terceira geração? Nascerão na Primavera Árabe, na África subsaariana, no corno de África, no Afeganistão...", explicou um deputado do SVP.

Um poster que a certa altura surgiu, com uma mulher coberta num niqab e as palavras "cidadania descontrolada", ajudou a aquecer os ânimos. Mas o resultado final, anunciado pouco depois do encerramento das urnas ao meio dia, cifrou-se em mais 60% dos votos a favor da proposta, tranquilizando as 24 mil pessoas susceptíveis de beneficiar diretamente na nova medida.

A Suíça tem uma tradição antiga de democracia direta. Essas consultas acontecem quatro vezes por ano, e não é inédito terem por objeto a situação dos residentes estrangeiros, os quais constituem um quarto da população do país. Neste momento, uns 60 por cento deles têm origem italiana, sendo a maioria dos restantes oriundos dos Balcãs e da Turquia.