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Internacional

Espírito Santo: Polícia Militar e Governo chegam acordo

Centenas de lojas e automóveis foram roubados nos últimos dias. Mais de 120 pessoas foram assassinadas

Gabriel Lordello/ EPA

O acordo prevê que os polícias voltem à assumir funções a partir das 7h deste sábado (9h em Lisboa). Os agentes que apoiarem o fim da greve e se apresentem ao trabalho “não sofrerão sanções disciplinares”. Desde o último sábado, registaram-se mais de 120 homicídios

Este sábado a polícia militar do estado brasileiro de Espírito Santo volta a sair dos quartéis, a patrulhar as ruas e a exercer as suas funções. Após sete dias de greve, que originaram uma onda de violência em que 120 pessoas foram assassinadas, os militares e o Governo chegaram a acordo.

O entendimento estabelece que a greve termina às 7h deste sábado (9h em Lisboa), hora em que “regressam à atividade”, informou o secretário dos Direitos Humanos de Espírito Santo, Júlio César Pompeu, em conferência de imprensa. Assegurou ainda que os agentes que apoiarem o fim da greve e se apresentem ao trabalho “não sofrerão sanções disciplinares”.

Segundo o jornal “Estadão”, o Executivo comprometeu-se ainda a apresentar um calendário para a progressão na carreira e criar uma comissão para discutir a carga horária. No entanto, não estão previstos aumentos.

Os dados provisórios relativos à violência, embora não tenham sido confirmados pelo Governo, apontam para 121 homicídios (segundo o jornal “Folha de São Paulo” são 127). Ao longo destes dias foram roubados 666 carros e cerca de 300 assaltadas.

A greve já durava desde sábado, quando familiares, sobretudo as mulheres, dos agentes acamparam diante dos batalhões da Polícia Militar, num bloqueio que tinha a intenção de impedir os veículos da polícia de sair e iniciar o normal patrulhamento nas ruas. Desde então, a Polícia Militar mantém-se dentro dos quartéis. Exigiam aumentos salariais, que não acontecem há 7 anos, e reajustamentos devido à inflação, que não acontecem há 4. Reivindicavam ainda melhores condições de trabalho, pedindo subsídio de alimentação, planos de saúde ou coletes antibala que protejam os agentes no caminho entre casa e o trabalho.

A vida dos cidadãos alterou-se radicalmente: os relatos dão conta de que já houve pelo menos 95 homicídios desde esse dia, a juntar ao elevado número de furtos e roubos de veículos e lojas. As escolas e os centros de saúde fecharam; os autocarros deixaram de circular, no supermercado chega a haver filas de três horas; e vários polícias militares que se tentaram deslocar ao trabalho com os seus veículos próprios foram alvejados.

As consequências violentas fizeram-se sentir sobretudo da capital do estado, Grande Vitória, mas também nas cidades de Linhares, Aracruz, Colatina ou Cachoeiro de Ipapemirim. Foram

O Governo do estado brasileiro chegou a considerar esta “greve branca” como uma “chantagem” e um “resgate dos cidadãos”, que era irresponsável e colocava em risco a segurança da população. “A polícia que, mesmo com justa reivindicação, permite que cidadãos inocentes sejam assassinados, quer saiba, quer não, alia-se aos criminosos que deveria combater”, considerou o ministro da Defesa, Raul Jungmann.