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Brasil. Famílias de polícias mantêm bloqueio a quartéis no estado do Espírito Santo

AFP/GETTY

Como os agentes não têm o direito de fazer greve, as suas famílias estão a bloquear a saída de veículos dos regimentos, uma forma de reivindicarem aumentos de salários e melhores condições de trabalho

Familiares de agentes policiais continuam, este sábado de manhã, a bloquear o acesso aos quartéis no estado do Espírito Santo, apesar do acordo, alcançado sexta-feira, para terminar a greve, iniciada há uma semana, que causou o caos na região.

O acordo previa que a greve terminasse às 7h deste sábado (9h de Lisboa), hora em que os polícias e bombeiros militares deveriam regressar ao trabalho, sem que fossem alvo de sanções disciplinares.

No entanto, a situação mantinha-se este sábado de manhã como nos últimos dias.

Os agentes não têm o direito de fazer greve, mas as suas famílias estão a impedir que façam patrulhas, bloqueando a saída de veículos dos regimentos, uma forma de reivindicarem aumentos de salários e de melhores condições de trabalho.

Com a ausência de patrulhas, as agressões, os atos de vandalismo e mortes explodiram neste Estado, a 500 quilómetros ao norte do Rio de Janeiro.

O sindicato de polícia local já identificou 127 mortes violentas, número não confirmado oficialmente pelas autoridades.
A reunião de sexta-feira entre os dirigentes do governo do Estado de Espírito Santo e associações de polícias decorreu sem a presença de representantes das famílias, que consideram o acordo ilegítimo.

"Eles não podem assinar um acordo entre eles. É um movimento conduzido pelas mulheres dos agentes e nenhuma de nós esteve lá. O movimento continua", disse a mulher de um agente, citado pela página informativa G1, que se encontrava junto ao 4.º batalhão, no bairro de Ibes, em Vila Velha.
"As negociações vão começar, porque conseguimos mobilizar o governo federal", acrescentou, referindo-se à anunciada visita do ministro da Defesa, Raul Jungmann, este sábado.
As famílias dos polícias já procuraram negociar com as autoridades locais, mas não conseguiram chegar a um acordo após nove horas de reunião.

Este sábado de manhã, pelas 7h40, uma fila de carros particulares com agentes fardados posicionou-se em frente ao portão e tentaram que as mulheres permitissem a saída, mas elas agarraram-se ao portão a rezar e a cantar o hino nacional, descreve o G1.

Até sexta-feira, um total de 703 polícias foram indiciados por crime de "revolta", cuja pena pode chegar aos 20 anos de prisão, e o secretário dos Direitos Humanos de Espírito Santo, Júlio César Pompeu, disse que as acusações já foram apresentadas e as investigações vão seguir o "curso normal".

Com o fim da greve, mais de 3 mil soldados voltarão às ruas para realizar as patrulhas, mas a insegurança permanece grande e muitos estabelecimentos estiveram fechados durante toda a semana.

Na sexta-feira, um movimento semelhante teve início no Rio de Janeiro, onde vários regimentos da Polícia Militar foram bloqueados por famílias de agentes reclamando salários atrasados, mas a manutenção da ordem continuava a ser assegurada este sábado de manhã.


  • Espírito Santo: Polícia Militar e Governo chegam acordo

    O acordo prevê que os polícias voltem à assumir funções a partir das 7h deste sábado (9h em Lisboa). Os agentes que apoiarem o fim da greve e se apresentem ao trabalho “não sofrerão sanções disciplinares”. Desde o último sábado, registaram-se mais de 120 homicídios