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A agressão que levou os franceses para as ruas em protesto

GEOFFROY VAN DER HASSELT/ Getty Images

As câmaras de vigilância mostram quatro polícias franceses em torno do homem de 22 anos. Theo foi agredido violentamente e foi-lhe colocado um cassetete no ânus. O relatório preliminar da investigação diz que a violação foi “acidental”. Uma semana depois, Theo continua no hospital e os agentes estão detidos. Em Aulnay-sous-Bois, arredores de Paris, os populares saíram à rua em protesto. As mais altas figuras do Estado também já reagiram ao caso

Já lá vai uma semana desde que Theo, 22 anos, foi agredido por quatro polícias franceses em Aulnay-sous-Bois, nos arredores de Paris. Pouco se sabe sobre o que aconteceu ao certo no final da tarde de 2 de fevereiro e as versões contradizem-se. O homem garante que os agentes lhe colocaram um cassetete no ânus “voluntariamente”. As autoridades dizem que “foi um acidente”. O caso está a gerar polémica em França: centenas de pessoas continuam a sairà rua em protesto (houve já várias detenções) e o Presidente François Hollande visitou Theo no hospital.

“A Justiça assegura a liberdade dos cidadãos. O juiz é que toma as decisões, incluindo a de abrir uma investigação judicial e a de qualificar se os direitos de um cidadão foram violados ou a sua integridade física foi colocada em causa, incluindo pelas autoridades”, disse François Hollande esta quinta-feira, citado pelo jornal “Le Figaro”.

No relatório preliminar da investigação, esta quinta-feira divulgado, as autoridades concluem que a violação anal com um cassetete foi “acidental” e não voluntária no âmbito de uma prisão “violenta e forçada”. Uma versão contrária à já apresentada por Theo.

O caso originou uma reação popular e, pouco mais de 48 horas após a agressão, começaram os protestos em Aulnay-sous-Bois. Há relatos de automóveis queimados, incêndios, ataques às esquadras da polícia e paragens de autocarros destruídas. O cenário repetiu-se nas noites seguintes.

“O sentimento de humilhação é sentido pelas pessoas. O que estavam [os polícias] à procura? Queriam provocar algo? O poder das armas já não é suficiente neste bairro? Desemprego, insegurança, rendas altas e sem perspetivas de futuro. Fazem isto a um jovem, só podia explodir”, explica Abdallah Benjana, um antigo vereador que mora Aulnay-sous-Bois, citado pela Associated Press.

Dezenas de pessoas já foram detidas. Segundo “Le Figaro”, só na quarta-feira à noite foram 28. Em Aulnay-sous-Bois foi limitada a circulação noturna de autocarros, para evitar que sejam atacados.

Pede-se “justiça por Theo”. Em Paris. cerca de 250 pessoas marcharam em sinal de solidariedade, em Nantes foram perto de 400 e em Rennes mais 200.

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Um polícia acusado de violação

Theo, em entrevista à BFMTV, contou que quando as agressões começaram estavam num local sem câmaras de vigilância, mas que conseguiu ripostar para que o confronto se deslocasse para outro sítio, onde, disse, “sabia que havia vigilância”.

“Não tentei fugir. Eram três do meu tamanho, perguntei-lhes porque estavam a fazer aquilo e não me responderam, insultaram-me”, relatou. “[Um deles] Olhou para mim, e como eu estava meio de costas, consegui ver o que estava a fazer. Empurrou voluntariamente o cassetete para o meu ânus”, garantiu.

Caiu no chão, foi algemado, levou com gás lacrimogéneo e mais pancadas na cabeça. Foi então que um dos polícias decidiu chamar ajuda médica. “O que me fizeram marcou-me para a vida, é algo que não desejo a ninguém. Fisicamente, estou muito debilitado. Não consigo mexer-me. Não consigo dormir à noite”, contou Theo.

Os quatro polícias são acusados de atacarem Theo, sendo que um deles é também acusado de violação.

A questão do uso excessivo de violência por parte das autoridades é levantada com alguma frequência em França, especialmente nos bairros mais pobres, maioritariamente habitados por minorias étnicas.