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Internacional

Os ‘bots’ da Rússia vão ajudar Le Pen a vencer as presidenciais em França?

Pascal Le Segretain/Getty Images

Agência secreta francesa acredita que o governo de Vladimir Putin está empenhado em interferir nas eleições de abril e maio para influenciar os resultados a favor da candidata de extrema-direita. É o mesmo receio que, há uma semana, levou as autoridades holandesas a decidirem contar à mão os votos das legislativas de março, para impedir interferências no software “vulnerável” utilizado pela Comissão Eleitoral – isto numa altura em que Geert Wilders, líder da extrema-direita no país, soma e segue nas sondagens de opinião

A Direção-Geral de Segurança Externa de França (DGSE) acredita que a Rússia vai tentar influenciar o resultado das eleições presidenciais no país a favor de Marine Le Pen, recorrendo a bots, ou aplicações de software concebidas para simular ações humanas repetidas em padrão.

A informação foi avançada esta quarta-feira pelo jornal "Le Canard Enchaîné", que cita um esquema de implantação de bots para inundar a internet com milhões de publicações positivas acerca da líder da Frente Nacional (FN, de extrema-direita) e também a revelação de emails confidenciais de outros candidatos ou de pessoas próximas deles – uma estratégia em duas frentes que, segundo informações recolhidas pela CIA, foi implementada por Moscovo durante a campanha para as presidenciais norte-americanas de novembro, que conduziram à eleição do empresário populista Donald J. Trump.

O mesmo jornal aponta que as suspeitas da DGSE são tão graves e o nível de ameaça tão elevado que o próximo encontro das chefias da Defesa francesa no Palácio do Eliseu vai ser dedicado ao assunto.

Estq quarta-feira, no rescaldo da notícia avançada pelo jornal francês, a "Foreign Policy" referia que França está "claramente" a preparar-se para interferências externas nas eleições, cuja primeira volta será disputada a 23 de abril e a provável segunda ronda a 7 de maio. Recentemente, o ministro da Defesa Jean-Yves Le Drian disse que Paris quer "aprender lições para o futuro" com as alegações de ingerência russa nas eleições da América. A suspeita é partilhada pelas autoridades da Holanda, que vai a votos em legislativas um mês antes de França, a 15 de março.

Geert Wilders lidera intenções de voto na Holanda

Geert Wilders lidera intenções de voto na Holanda

LASZLO BALOGH/REUTERS

Na semana passada, o ministro do Interior do país, Ronald Plasterk, enviou uma carta ao Parlamento onde referia não poder "excluir a possibilidade de atores estatais tentarem beneficiar [das eleições] influenciando decisões políticas e a opinião pública na Holanda". Por esse motivo, e para contornar o software "vulnerável" de contagem de votos utilizado em eleições recentes pela Comissão Eleitoral, os votos que serão depositados em papel nas urnas dentro de um mês vão ser contados à mão. Ao contrário da realidade em França, na Holanda o candidato de extrema-direita Geert Wilders continua à frente nos inquéritos de opinião.

A WikiLeaks de Julian Assange, que foi acusada de colaborar com os russos contra a candidatura da democrata Hillary Clinton nos Estados Unidos, tem estado a dar destaque a documentos dos seus arquivos com referências ao candidato conservador François Fillon e ao centrista Emmanuel Macron. Nos media estatais russos, Macron é apresentado como um agente secreto dos EUA que está a fazer lóbi em nome dos bancos e que é um gay enclausurado.

As alegações por substanciar foram lançadas por Dmitry Kiselyov, um jornalista que é tido como agente de propaganda do Kremlin. O escândalo de corrupção a envolver Fillon, que estalou no mês passado, tem levado a uma subida de popularidade de Macron nos inquéritos de opinião mais recentes, colocando-o na melhor posição para disputar a segunda volta das presidenciais com Le Pen.

Se as eleições francesas fossem disputadas hoje, Macron venceria a segunda volta com grande avanço sobre Le Pen, avançam as sondagens mais recentes

Se as eleições francesas fossem disputadas hoje, Macron venceria a segunda volta com grande avanço sobre Le Pen, avançam as sondagens mais recentes

Sean Gallup / Getty Images

As mais recentes sondagens diárias da Opinionway apontam que se a segunda ronda fosse disputada agora pelos dois candidatos, o independente venceria com larga margem sobre a líder da FN. Isto perante a recusa de Fillon em abandonar a corrida para dar o lugar a um candidato idóneo, no rescaldo das alegações avançadas pelo "Le Canard Enchaîné", sobre ter desviado dos cofres públicos quase um milhão de euros para pagar a assessores parlamentares e também salários fictícios à mulher e aos dois filhos – só mais um caso no rol de suspeitas de corrupção em torno de membros do Partido Republicano, entre eles o antigo Presidente Nicolás Sarkozy, que é acusado de financiamento ilegal da sua campanha nas eleições de 2012.

A novidade na corrida eleitoral francesa, aponta a FP, é o facto de o governo francês estar realmente preocupado com o que considera serem ameaças à organização do plebiscito a apenas dois meses da ida às urnas. Ao RTL.fr, Florian Philippot, vice-presidente da FN, não se mostra preocupado mas garante que também a extrema-direita está a contar com o Estado para "preservar a segurança" das eleições presidenciais.

  • Sondagens dão grande derrota de Le Pen na segunda volta

    O candidato independente Emmanuel Macron deverá ser eleito Presidente da França a 7 de maio, com quase o dobro dos votos da candidata de extrema-direita da Frente Nacional, segundo continuam a indicar as sondagens que a Opinionway faz diariamente