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Internacional

Senadora democrata silenciada pelos republicanos do Congresso dos EUA

Chip Somodevilla

Partido Republicano recorreu a um processo parlamentar para calar Elizabeth Warren, sob o argumento de que violou as regras de decoro da câmara alta. O seu crime: ler uma carta da mulher de Martin Luther King, onde esta critica abertamente Jeff Sessions, o homem que Donald Trump escolheu para dirigir o Ministério da Justiça que, no passado, já foi chumbado para um cargo público por causa de declarações racistas

Mitch McConnell, o líder da maioria republicana no Senado, recorreu esta terça-feira a uma regra recôndita dos processos parlamentares para silenciar a senadora democrata Elizabeth Warren a meio do seu discurso, durante o qual a representante do estado de Massachussetts e provável candidata às primárias democratas para as presidenciais de 2020 leu uma carta da mulher de Martin Luther King contra o homem que Donald Trump escolheu para procurador-geral dos EUA.

Num raro momento na história da câmara alta do Congresso, McConnell alegou que Warren violou as regras de decoro ao citar a carta de Coretta Scott King –na qual a viúva de uma das figuras maiores da luta pela igualdade racial nos EUA acusa Jeff Sessions de xenofobia. A missiva foi escrita em 1986 e nela King acusava o homem que Trump quer pôr a dirigir o Ministério da Justiça de ter "usado o seu poder enquanto advogado dos EUA para intimidar e bloquear o direito ao voto garantido a todos os cidadãos". Na altura, tinha Sessions 39 anos, o Presidente Ronald Reagan escolheu-o para ser juiz federal do Alabama, mas a Comissão de Serviços Judiciários do Senado chumbou-o por causa de declarações racistas que tinha proferido no passado, enquanto advogado do Ministério Público daquele estado do sul.

Esta terça-feira, durante a votação de Sessions na câmara alta do Congresso, já depois de ter obtido o apoio da maioria dos senadores da comissão especializada, McConnell acusou Warren de estar a impugnar a conduta de outro senador, o próprio Sessions, e levou a votação uma medida parlamentar para a obrigar a calar-se: 49 senadores votaram a favor contra 43 que manifestaram apoio à democrata. Warren acabaria por ler a carta numa sessão de livestream no Facebook.

"Durante o debate sobre se Jeff Sessions deve ser o próximo procurador-geral dos EUA, tentei ler uma carta de Coretta Scott King no Senado", explicou no vídeo. "Na carta, datada de há 30 anos, ela pedia ao Senado que rejeitasse a nomeação de Jeff Sessions para ser juiz federal. Os republicanos roubaram-me o direito de ler esta carta na câmara, portanto estou aqui fora a lê-la agora."

Na altura, Scott King alega que Sessions não se adequa ao cargo para o qual foi nomeado por Trump porque "usou os seus enormes poderes numa tentativa pobre de intimidar e assustar eleitores negros idosos". O processo de confirmação de Sessions tem sido ensombrado por inúmeras alegações de que tentou suprimir o direito de voto de cidadãos negros enquanto procurador-geral do estado do Alabama.

Em comunicado, a Comissão Nacional Democrata lamenta "o dia triste para a América em que as palavras da viúda de Martin Luther King não foram autorizadas na câmara do Senado dos Estados Unidos". Com McConnell a invocar a regra 19 – que encoraja o respeito mútuo entre os senadores e através da qual o líder republicano acusou a opositora de "impgunar os motivos e conduta do nosso colega do Alabama [Jeff Sessions]" – Warren fica proibida de voltar a falar no Senado durante os debates que deverão ser concluídos esta quarta-feira com a confirmação do senador para o cargo de procurador-geral dos EUA.

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