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Presidente romeno diz que a crise política tomou conta do país

DANIEL MIHAILESCU/GETTY

Há mais de uma semana que as ruas da Roménia são cenário dos maiores protestos desde aqueles que deram lugar à queda do regime comunista de Ceausescu. A lei que ‘amnistiaria’ políticos corruptos foi o rastilho para as manifestações que prosseguem, apesar do Governo ter entretanto recuado nesta matéria

Enquanto centenas de milhares de pessoas permaneciam nas ruas em protesto pelo oitavo dia, o Presidente Klaus Iohannis declarou na terça-feira perante o parlamento que a Roménia está “totalmente mergulhada” numa crise política e que a maioria dos cidadãos acredita que o país está a seguir na direção errada.

“A Roménia precisa de um Governo transparente, que governe com previsibilidade à luz do dia, não de forma rasteira à noite”, afirmou o Presidente romeno, referindo-se à alteração legislativa que descriminalizaria algumas formas de corrupção de representantes estatais, que o Governo fez passar com caráter de urgência na semana passada.

Iohannis não aprovou a lei e o Governo recuou entretanto nesta matéria. Apesar disso, os protestos prosseguem, tendo entretanto a reivindição sido alargada a mais profundas reformas políticas.

“Demissão!” e “Partido Social Democrático, a praga vermelha!” foram algumas das palavras de ordem gritadas por aqueles que se manifestavam na Praça da Vitória junto à sede do Governo, em Bucareste.

Durante o fim-de-semana, as manifestações em todo o país terão obtido a sua maior dimensão, estimando-se que tenham reunido 500 mil pessoas, surgindo como os maiores desde as que levaram à queda do regime comunista de Nicolae Ceausescu em 1989.

Embora em número muito mais reduzido do que aqueles que se manifestavam na Praça Vitória, cerca de duas mil pessoas marcaram também presença na terça-feira junto ao palácio presidencial, alguns dos quais gritando “Sai, traidor!”.

Iohannis foi eleito Presidente em 2014, tendo-se demitido do cargo de secretário-geral do Partido Liberal para assumir o cargo. Tem sido muito critico do Governo do primeiro-ministro Sorin Grindeanu, que assumiu funções em sequência da vitória do Partido Social Democrata, nas eleições parlamentares de dezembro do ano passado.