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Internacional

Começam conversações de paz para a Colômbia com o Exército de Libertação Nacional

JUAN CEVALLOS

Representantes do grupo rebelde e do governo de Juan Manuel Santos estão em Quito, no Equador, para tentar enterrar mais de cinco décadas de conflito

Membros do Exército de Libertação Nacional (ELN) e do governo da Colômbia deram ontem início a negociações de paz na capital do Equador, em mais um passo para enterrar um conflito que, ao longo de mais de 50 anos, provocou mais de 260 mil mortos e milhões de deslocados internos. As conversações têm lugar depois de o Congresso colombiano ter sido chamado a votar (e uma maioria dos deputados ter aprovado) a lei de amnistia a membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), outro grupo rebelde envolvido no conflito, que não tenham cometido crimes graves. Esta medida foi levada a votação após uma maioria dos colombianos ter chumbado em referendo o acordo de paz que o Governo de Juan Manuel Santos alcançou com as FARC para acabar com 52 anos de guerra — um esforço que valeu o Nobel da Paz ao Presidente colombiano em 2016.

Lado a lado, os delegados do ELN e do Governo ouviram o hino nacional da Colômbia no arranque das negociações em Quito, com Pablo Beltran, negociador-chefe do grupo rebelde, a pedir depois que os dois lados se unam e ponham as suas diferenças de lado. Juan Camilo Restrepo, representante do executivo, disse esperar que tenham sido tiradas lições do acordo de paz alcançado com as FARC. Os dois lados concordaram que esta é uma oportundade única para devolver a paz ao país. "A Colômbia e o mundo sabem que é muito improvável que voltemos a ter uma oportunidade de paz como esta", destacou Restrepo, pedindo ao ELN que suspenda a prática de raptos durante as negociações. O grupo depende do dinheiro dos resgates para financiar as suas atividades.

"Precisamos de uma solução política", declarou Beltran. "Estamos dispostos a assumir responsabilidades pelos erros que cometemos, mas também esperamos que o outro lado faça o mesmo." Esta geração, acrescentou Guillaume Long, ministro equatoriano dos Negócios Estrangeiros, "pode nunca mais ter uma oportunidade para alcançar a paz". O Equador está a assumir o papel de anfitrião desta primeira ronda de negociações, com o Brasil, Chile, Cuba, Noruega e Venezuela a funcionarem como fiadores.

Numa demonstração de boa vontade, na segunda-feira o ELN, o segundo maior grupo rebelde da Colômbia a seguir às FARC, libertou um soldado que tinha feito refém há duas semanas. Freddy Moreno foi libertado na província de Arauca onde uma equipa do Comité Internacional da Cruz Vermelha o recebeu. A libertação de um outro refém do ELN, o ex-senador Odin Sanchez, na semana passada foi o que possibilitou o início das negociações de paz, que estavam inicialmente marcadas para outubro. O governo recusou-se a sentar-se à mesma mesa que o ELN enquanto Odin não fosse libertado, depois de dez meses em cativeiro.

O ELN foi fundado em 1964 com o objetivo declarado de acabar com a distribuição desigual de terras e riquezas na Colômbia, a premissa que anos antes, em 1959, inspirou a revolução cubana de Castro. Foi precisamente na capital cubana que, em novembro passado, o governo de Santos e as FARC alcançaram o primeiro e histórico acordo de paz para acabar com o conflito. Segundo fontes do executivo colombiano, deverá estar hoje concluída a operação de agrupamento de rebeldes das FARC em "zonas de transição", onde vão entregar as suas armas e desmobilizar oficialmente sob supervisão de uma equipa das Nações Unidas.