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Internacional

Presidente dos Óscares compara América atual aos tempos do mccarthysmo

Cheryl Boone Isaacs, presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas

MARIO ANZUONI

Cheryl Boone Isaacs diz que “a arte não pára nas fronteiras”, numa alusão aos candidatos a Óscares que provavelmente não vão poder assistir à entrega dos prémios devido ao decreto do Presidente que proíbe a entrada nos EUA de cidadãos de sete países de maioria muçulmana

O clima político vivido na América marcou, na segunda-feira, o encontro de artistas candidatos aos Óscares, no início do qual a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, apelou à tolerância e à liberdade, comparando os tempos atuais ao mccarthysmo.

“Hoje, nós celebramos-vos (...) mas cada um de nós sabe que há cadeiras vazias nesta sala”, declarou a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a poderosa organização que atribui os Óscares, durante o almoço anual em Beverly Hills, no qual participaram cerca de 160 artistas.

Cheryl Boone Isaacs referia-se aos candidatos a Óscares que provavelmente não vão poder assistir à entrega destes prémios do cinema, devido ao decreto do presidente Donald Trump, que proíbe a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de sete países de maioria muçulmana.

Essas cadeiras vazias transformaram alguns “artistas da Academia em militantes”, continuou Cheryl Boone Isaacs, fortemente aplaudida ao acrescentar que existe “hoje uma batalha pela liberdade artística, que parece mais urgente do que nunca, desde os anos 50”, época do Macartismo.

“Apoiamos os artistas de todo o mundo, levantamo-nos contra os que pretendem limitar a nossa liberdade de expressão e por este princípio fundamental: todos os artistas do mundo estão ligados por um laço indestrutível mais forte que as nacionalidades e a política”, disse ainda a presidente da Academia antes de concluir: “O nosso trabalho não pára nas fronteiras e as fronteiras não podem parar nenhum de nós”.

Os protagonistas do documentário “Os capacetes brancos” (“The White Helmets”), sobre os voluntários que resgatam vítimas da guerra na Siria, também não deverão poder assistir à grande gala anual do cinema americano, em Los Angeles, a 26 de fevereiro.

Entre as estrelas que participaram no almoço de celebração dos candidatos aos Óscares, estavam Ryan Gosling e Emma Stone, protagonistas da comédia musical “La La Land”, que soma o número recorde de 14 nomeações para a 89.ª cerimónia dos Óscares.

A atriz francesa Isabelle Huppert, na corrida para o Óscar de melhor atriz pela sua participação no thriller de Paul Verhoeven “Elle”, recebeu uma salva de palmas ao juntar-se aos outros nomeados para uma tradicional foto promocional, como sublinha hoje a Agência France Presse.

O decreto assinado por Trump, a 27 de janeiro, impede a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de sete países (Irão, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iémen) durante três meses e o acolhimento de refugiados durante quatro meses, mas os sírios são alvo de uma proibição sem limite de duração.

No final da semana passada, o juiz federal James Robart suspendeu a aplicação da ordem e, no domingo, um tribunal de recurso rejeitou o pedido da administração de Donald Trump para restabelecer imediatamente a aplicação do controverso decreto.

O Departamento de Justiça apresentará esta terça-feira novos argumentos em defesa da medida de exclusão.