Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Turquia detém mais de 450 pessoas por alegadas ligações ao Daesh

OZAN KOSE

460 indivíduos, na sua maioria estrangeiros, foram detidos pela polícia turca na madrugada de domingo em várias partes do país. Pelo menos 14, entre eles dez menores, vão ser deportados em breve, avança a Al-Jazeera

As autoridades turcas levaram a cabo uma série de buscas no domingo que culminaram em centenas de detenções de alegados membros do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), naquela que os media estatais dizem ter sido a maior operação policial do país contra o grupo radical. Cerca de 460 suspeitos, na sua maioria estrangeiros, foram detidos em pelo menos 18 províncias da Turquia, avança a agência Anadolu.

Desses, pelo menos 60 foram detidos na capital, Ancara, 150 em Sanliurfa, no sudeste do país, e 47 na cidade de Gaziantep, próxima da fronteira com a Síria. Na província de Izmir, banhada pelo Egeu, as forças de segurança detiveram pelo menos nove alegados membros do Daesh que estariam a preparar um atentado em território turco. Outras 18 pessoas foram detidas em Istambul e na província vizinha de Kocaeli também sob suspeita de estarem a planear ataques no país. Destes, pelo menos 14 estrangeiros, incluindo dez crianças, vão ser deportados em breve.

"Estas foram as maiores buscas simultâneas e coordenadas que a Turquia já levou a cabo contra o que diz serem 'suspeitos membros do ISIL [Daesh]' em todo o país", aponta a correspondente da Al-Jazeera em Gaziantep. "Pelo que sei, todas elas tiveram lugar ao mesmo tempo na madrugada de domingo." Esta operação policial, aponta a mesma jornalista, sinaliza a intenção clara do governo de Recep Tayyip Erdogan em enviar uma "mensagem de que está a apertar o cerco" ao grupo armado depois de uma série de ataques em território turco direta ou indiretamente ligados aos jiadistas — o mais recente deles na véspera de ano novo, contra uma discoteca em Istambul, que vitimou 39 pessoas. O suspeito desse ataque, identificado como Abdulgadir Masharipov, de nacionalidade uzbeque, foi detido pela polícia a 16 de janeiro e, segundo as autoridades, confessou ser o autor do massacre.

As tropas turcas estão envolvidas em batalhas com militantes do Daesh na cidade síria de Al-Baba, parte de uma campanha militar de Ancara em território sírio que foi iniciada no final de agosto. Pelo menos 48 soldados turcos morreram nessa incursão até agora, de acordo com uma contagem da AFP.