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Internacional

Proibição de vistos. Agência da ONU para os refugiados está “profundamente preocupada”

O Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi.

FABRICE COFFRINI/GETTY IMAGES

Filippo Grandi, o Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, considera, apesar disso, que cabe ao país decidir sobre a legalidade da medida

Helena Bento

Jornalista

O Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, manifestou-se este sábado “profundamente preocupado” com as implicações da proibição decreta pelo Governo dos EUA sobre a admissão de refugiados no país. “Estamos profundamente envolvidos e preocupados com o aspecto operacional, porque muitas pessoas foram afetadas e cumpriram todo o processo para serem admitidas nos Estados Unidos”, disse Filippo Grandi, em declarações à AP. “Estamos a trabalhar para eliminar as consequências [da decisão] e discuti-las com a administração dos EUA”, afirmou ainda o Alto-comissário, depois de ter visitado o vale de Bekaa, em Beirute, onde estão instalados milhares de refugiados sírios.

Na sexta-feira, um juiz federal de Seattle ordenou a suspensão temporária, a nível nacional, da proibição de entrada de pessoas de sete países de maioria muçulmana (Iraque, Irão, Iémen, Líbia, Somália, Sudão e Síria) decretada pelo Presidente Donald Trump.

A ordem temporária do juiz James Robart vai manter-se válida em todo o país até ser efetuada uma revisão completa da queixa apresentada pelo procurador-geral de Washington, Bob Ferguson. Outros juízes federais agiram contra a ordem executiva de Trump desde que esta entrou em vigor na passada sexta-feira, mas a decisão de Robart foi a primeira a suspender a medida a nível nacional.

Donald Trump não gostou da iniciativa do juiz, que classificou como “ridícula”. “A opinião deste suposto juiz, que basicamente impede o nosso país de aplicar as leis, é ridícula e será anulada”, escreveu o novo Presidente dos EUA na sua conta no Twitter. “Quando um país não é capaz de dizer quem pode e quem não pode entrar e sair, especialmente por razões de segurança, é um grande problema”, escreveu ainda Trump, afirmando que “certos países do Médio Oriente [não especificou quais] estão de acordo com o veto”, porque “sabem que se for permitida a entrada a certas pessoas haverá morte e destruição”.

Embora a Casa Branca tenha anunciado, em comunicado, que os seus advogados vão apresentar “o mais cedo possível” um recurso da decisão do juiz a fim de restaurar o veto, que considera “legal” e “apropriado”, o departamento de Estado já confirmou a suspensão da controversa ordem presidencial.

Além de proibir temporariamente a entrada de pessoas de sete países de maioria muçulmana, o decreto assinado por Trump suspende durante 120 dias o programa de acolhimento de refugiados, que em 2017 deverá ser reduzido para menos de metade - 50.000 pessoas de todo o mundo - em comparação com os anos anteriores.