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Theresa May pressiona dirigentes europeus a aumentarem contribuições para a NATO

YVES HERMAN/REuters

A primeira-ministra britânica tinha como objetivo aproveitar a cimeira em Malta para construir alianças com os países da União Europeia membros da NATO, num contexto pós-Brexit. Para May, uma relação forte com Bruxelas configura um dos interesses do Reino Unido

No seguimento das conversações mantidas com Donald Trump sobre a NATO, a primeira-ministra britânica Theresa May chegou à cimeira europeia, que está a decorrer em Malta, com o intuito de pressionar os países da União no sentido de aumentarem as suas contribuições para a defesa.

Numa conferência conjunta com Donald Trump na passada sexta-feira, aquando da sua visita à Casa Branca, May referiu que as contribuições dos vários países para a NATO deviam ser "divididas mais justamente", cita a BBC. Uma estimativa da organização de defesa aponta que apenas cinco dos seus membros (Estados Unidos, Reino Unido, Grécia, Polónia e Estónia), despendem pelo menos 2% do seu PIB com a defesa.

A chefe do Executivo britânico havia dito que durante a cimeira iria anunciar medidas para ajudar a União Europeia com a crise migratória, mesmo com a saída do Reino Unido do bloco, pois queria uma relação "nova, positiva e construtiva" com Bruxelas no pós-Brexit.

Já em Malta, Theresa May garantiu que o Reino Unido vai contribuir com 30 milhões de libras (mais de 34 milhões de euros) adicionais para ajudar a UE com a crise dos refugiados. Para além desta medida, escreve a BBC, vai ainda fornecer ajuda médica, abrigo temporário e apoio legal a 60 mil refugiados na Grécia, no Egito e nos Balcãs, bem como ajudar a reunir os membros de mais de 22 mil famílias.

Theresa May prevê também cooperar com países na Ásia e na América Latina que estejam disponíveis para receber refugiados mas não tenham infraestruturas adequadas até ao momento.

O escritório da ministra realçou a importância da relação do Reino Unido com a União Europeia depois de consumada a saída do país do bloco e revelou que May fez uma atualização acerca das preparações para esse movimento, referindo o seu desejo de uma "relação forte com a união no futuro". A primeira-ministra concordou também ser desejável um acordo sobre os direitos dos cidadãos europeus que residem no Reino Unido, assim como os dos britânicos a viverem no resto da Europa.

O primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, citado pela BBC, referiu que o discurso de May "clarificou muitas coisas".

É esperado também que Theresa May se reuna informalmente com o primeiro-ministro de Malta Joseph Muscat, que declarou à BBC pretender um "acordo justo" com o Reino Unido, mas que, no entanto, tem de ser "inferior" em relação aos acordos assinados com os países integrantes do mercado único.

A cimeira de Malta foi convocada com dois pontos na agenda: medidas a tomar para travar o fluxo de migrantes que chegam à Europa (de manhã) e reflexão sobre o futuro da UE a 27 (à tarde, já sem a presença de Theresa May).