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Presidente de Angola instrui MPLA à “grande divulgação” de João Lourenço

HERCULANO COROADO/REUTERS

“A nossa marca de campanha estará no boletim de voto, como foi no passado. É a bandeira do MPLA e a cara do nosso candidato a Presidente da República. Estes símbolos devem ter uma grande divulgação no seio do povo, rumo à nossa vitória”, disse esta manhã p líder angolano, referindo-se a João Lourenço, ministro da Defesa e vice-presidente do partido, oficializado esta sexta-feira como cabeça de lista

O presidente do MPLA e chefe de Estado angolano José Eduardo dos Santos instruiu esta sexta-feira o partido à "grande divulgação" pelo povo da "cara" do candidato a Presidente da República nas eleições gerais deste ano, o general João Lourenço.

O líder do partido e Presidente da República desde 1979 discursou na abertura da reunião do Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que decorre esta sexta-feira em Luanda, com a aprovação da lista de candidatos do partido a deputados nas eleições gerais de agosto em agenda.

Fontes do partido contactadas pela Lusa indicam que José Eduardo dos Santos será o número três na lista proposta, um lugar ilegível para o parlamento, mas não sendo certo que o ainda chefe de Estado, que completa 75 anos em agosto, possa assumir o cargo de deputado.

"É a nossa tarefa essencial organizar uma campanha eleitoral que convença todos os militantes, amigos e simpatizantes do MPLA, e o povo em geral, a votar no nosso partido", disse ainda José Eduardo dos Santos, reconduzido para novo mandato na liderança do partido no congresso de agosto de 2016.

Nesta intervenção de abertura, José Eduardo dos Santos anunciou - o que aconteceu pela primeira vez publicamente - que já está aprovado o nome do vice-presidente do partido e ministro da Defesa, João Lourenço, para cabeça-de-lista do MPLA às próximas eleições gerais, e candidato a Presidente da República, e do ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, também general na reserva, como número dois, concorrendo a vice-Presidente.

"Na sua reunião de 2 de dezembro de 2016, no quadro da preparação do partido para participar nessas eleições [gerais, de 2017], o Comité Central aprovou o nome do candidato João Manuel Gonçalves Lourenço como cabeça-de-lista a candidato a Presidente da República e o nome do camarada Bornito de Sousa como segundo da lista e vice-candidato a Presidente da República", anunciou José Eduardo dos Santos.

José Eduardo dos Santos é Presidente de Angola desde setembro de 1979, cargo que assumiu após a morte de Agostinho Neto, o primeiro Presidente angolano.

A Constituição angolana aprovada em 2010 prevê a realização de eleições gerais a cada cinco anos, elegendo 130 deputados pelo círculo nacional e mais cinco deputados pelos círculos eleitorais de cada uma das 18 províncias do país (total de 90).

O cabeça-de-lista pelo círculo nacional do partido ou coligação de partidos mais votado é automaticamente eleito Presidente da República e chefe do executivo, conforme define a Constituição, moldes em que já decorreram as eleições de 2012.

Nesse último ato eleitoral, segundo dados da Comissão Nacional Eleitoral, o MPLA garantiu uma votação total de 71,84%, elegendo nos dois círculos 175 deputados, enquanto a UNITA conquistou 18,66% dos votos e 32 deputados.

A então estreante coligação CASA-CE chegou aos 6% e oito deputados e o PRS aos 1,70% dos votos e três deputados.

A histórica FNLA, um dos três movimentos de libertação do período colonial, juntamente com o MPLA e a UNITA, conquistou apenas 1,13% dos votos, elegendo os restantes dois deputados.