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Expresso

Internacional

ONG criticam planos europeus para bloquear rota do Mediterrâneo Central

ELIO DESIDERIO / EPA

Para a maioria das organizações internacionais ou não-governamentais, o que se prepara em Malta vai contra os direitos humanos e pode provocar uma nova catástrofe humanitária

Organizações internacionais e não-governamentais alertaram contra as medidas planeadas pelos europeus, reunidos esta sexta-feira numa cimeira em Malta, para bloquear a chegada de milhares de migrantes a partir da Líbia, que consideram perigosas, nomeadamente para as crianças.

"As decisões tomadas na cimeira desta sexta-feira representam literalmente uma questão de vida ou de morte para milhares de crianças em trânsito ou que estão bloqueadas na Líbia", declarou o diretor adjunto do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Justin Forsyth, num comunicado.

Os líderes da União Europeia, reunidos numa cimeira informal em Malta esta sexta-feira, comprometeram-se a agir para "reduzir significativamente" o fluxo migratório clandestino no Mediterrâneo central, propondo-se reforçar a cooperação com a Líbia, principal ponto de partida.

Os europeus querem reforçar o papel dos guardas costeiros líbios na intersecção dos barcos com migrantes antes de eles entrarem em águas internacionais, ajudar os vizinhos da Líbia a fecharem os acessos ao país e incitar os migrantes a regressarem às suas terras, pelo menos no caso dos migrantes económicos que não podem conseguir o estatuto de refugiado.

As ONG temem maus tratos em relação aos migrantes bloqueados na Líbia por não poderem atravessar o Mediterrâneo.

"Reter crianças desesperadas num país que muitos descrevem como um inferno não é uma solução", considerou Ester Asin, responsável da organização Save The Children em Bruxelas.

"O que a União Europeia chama 'linha de proteção' será na realidade uma linha muito mais profunda de crueldade na areia e no mar", sublinhou uma das responsáveis da organização Human Rights Watch, Judith Sunderland.

Os europeus procuram bloquear a rota do Mediterrâneo central, que parte da Líbia, após o encerramento da do mar Egeu na sequência de um acordo com a Turquia. Um recorde de 181 mil migrantes chegaram o ano passado às costas italianas.