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Lech Walesa foi informador da polícia secreta, diz um relatório

Eamonn M. McCormack/Getty Images for BFI

O ex-líder do Solidariedade e antigo Presidente polaco nega, mas a análise grafológica indica que é verdade

Luís M. Faria

Jornalista

O ex-líder do Solidariedade e ex-Presidente polaco Lech Walesa foi mesmo informador do regime durante os anos 70. É a conclusão de um relatório agora publicado pelo Instituto da Memória Nacional polaco. As acusações vêm de há anos, mas Walesa sempre negou, e tornou a fazê-lo agora. Porém, a análise grafológica parece confirmar que a sua assinatura se encontra de facto em acordos feitos com polícia secreta do país, bem como recibos de quantias que lhe foram pagas.

Entre 1970 e 1976, Walesa terá fornecido informações sobre opositores do regime a troco de dinheiro. Em 1976 rompeu o contrato, e em 1980 tornou-se líder do movimento sindical Solidariedade, que assumiu a oposição ao Partido Comunista. Após a imposição da lei marcial no país, foi preso. Em 1989, com as primeiras eleições livres no país, ganhas pelo Solidariedade, Walesa ficou com o caminho aberto para se candidatar a Presidente. Fê-lo no ano seguinte, com sucesso, ficando no cargo até 1995.

A sua imagem já tinha sofrido vários abalos desde então, mas o alegado passado de colaborador é a pior de todas. Mesmo defensores dele não negam, embora notem que o partido atualmente no poder tem razões para denegrir Walesa, e que a época em questão obrigava a compromissos difíceis. Nos anos 70, ele era um jovem operário, nessa altura já com três filhos. A iniciativa de deixar de colaborar com a polícia secreta foi dele. O que quer que possa ter feito de mal, compensou-o muitas vezes, diz um historiador. Mas a imagem do homem que mais tarde seria o herói dos estaleiros de Gdansk fica inevitavelmente afetada.