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Internacional

Freira catalã ameaçada de morte por dizer que Maria podia não ser virgem

A autodeclarada “monja cojonera” já antes foi repreendida pelas suas aparições públicas

Luís M. Faria

Jornalista

Uma freira de um convento catalão está a receber ameaças de morte por ter sugerido que a mãe de Jesus Cristo poderá não ter sido virgem. “Acho que Maria estava apaixonada por José e que eles eram um casal normal, e ter sexo é uma coisa normal”, disse Lucía Caram num programa de televisão há dias. “A Igreja tem tido uma má atitude para com isso há muito tempo e varreu para baixo do tapete. Não era um tabu. Era mais algo que se considerava sujo ou escondido. Era a negação do que eu creio ser uma bênção”, disse ela.

A reação não se faz esperar, e nalguns casos tem sido violenta. Caram, de origem argentina, é conhecida há muito como figura mediática em Espanha. Toma posições sobre assuntos políticos (é explicitamente a favor da independência catalã) e vai com frequência à televisão, onde aliás apresenta um programa culinário. A Igreja Católica já por diversas vezes a instou a moderar as suas aparições. Desta vez, o bispo de Vic lembrou que a virgindade de Maria é um dogma desde o segundo Concílio de Constantinopla, em 553 dC.

Esta quarta-feira, Caram deu uma explicação: “Quando me perguntaram sobre a Virgem Maria, disse que, na minha opinião, Maria obviamente amava José. Quis dizer que não me chocaria se tivesse tido uma relação normal de casal com José, o seu marido”. E lamentou que “alguns caçadores de heréticos, sedentos de vingança e motivados pelo ódio”, tivessem deformado as suas afirmações e feito ameaças.

Perigo à parte, não é provável que essa autodeclarada “monja cojonera” se deixe silenciar num futuro próximo. Tal como outra freira catalã, Teresa Forcades, o engajamento espiritual para elas tem uma dimensão terrena, e fortemente pública.