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Internacional

Crise migratória é tema de debate da cimeira de Malta

ONG SOS MEDITERRANÉE / EPA

Em discussão estará ainda o futuro da União Europeia depois da saída do Reino Unido

Vários chefes de Estado e de governo dos países da União Europeia vão reunir-se esta sexta-feira em La Valetta, Malta, para discutir quais as medidas a tomar para travar o fluxo de migrantes desde o Norte de África até à Europa, incluindo de refugiados da Síria. Portugal estará representado pelo primeiro-ministro, António Costa.

Graças à sua proximidade com o continente europeu, a Líbia tornou-se num local central para tráfico humano. Por essa razão, escreve a BBC, as principais propostas desta cimeira serão no sentido de reforçar a guarda costeira da Líbia, com formação e equipamento com vista a travar a travessia do Mediterrâneo por parte de milhares de migrantes ilegais e ainda adotar uma posição mais dura para combater os contrabandistas de seres humanos. A União Europeia tem já uma presença militar em águas internacionais para conter o tráfico de pessoas, mas pretende agora reforçar este controlo.

Porém, vários especialistas, citados pela BBC, já avisaram que é difícil encontrar parceiros de confiança na Líbia e que o encerramento das rotas existentes apenas vai conduzir a que outras sejam abertas.

Os países da UE pretendem ainda o repatriamento humanitário dos migrantes que viram os seus pedidos de asilo negados, mas também querem melhores condições para os migrantes.

Por essa razão, a Comissão Europeia vai propor um valor extra de 200 milhões de euros no ano de 2017, com o objetivo de ajudar a reduzir o fluxo de migrantes que chegam à Europa.

A Itália, que é o principal país onde chegam estes migrantes, já pediu que todos os países da UE partilhem da mesma responsabilidade. "Se quisermos reforçar e pôr a gestão dos fluxos migratórios a andar, então é necessário que haja um compromisso económico de toda a UE", referiu o primeiro-ministro italiano Paolo Gentiloni, depois de um encontro com o primeiro-ministro da Líbia, Fayez al-Sarraj, na quinta-feira.

Depois de discutida "a situação internacional e outros desafios" por todos os atuais Estados-membros, escreve a Lusa, os trabalhos serão retomados mas já só a 27, sem a primeira-ministra britânica, Theresa May, precisamente para discutir "o futuro da União" com a saída do Reino Unido.

Este debate, iniciado no ano passado numa cimeira em Bratislava, constitui também a preparação para a celebração do 60.º aniversário dos Tratados de Roma, a ter lugar a 25 de março na capital italiana, e na qual os chefes de Estado e de Governo da UE se propõem adotar uma estratégia comum e ambiciosa do bloco europeu para os próximos anos.

Um tema incontornável na discussão sobre o futuro da UE será a relação com os Estados Unidos à luz da eleição de Donald Trump, que o próprio presidente do Conselho Europeu, numa carta enviada aos chefes de Estado e de governo, classifica como uma das "ameaças" com que a UE se confronta atualmente.

Segundo Donald Tusk, "a mudança em Washington coloca a União Europeia numa situação muito difícil, com a nova administração a parecer colocar em causa os últimos 70 anos de política externa norte-americana", esperando-se que os líderes da UE manifestem esta sexta-feira o seu forte descontentamento com recentes decisões da Casa Branca, com destaque para a interdição de entrada nos Estados Unidos de cidadãos de sete países muçulmanos.