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Plantação de marijuana deixou aldeia às escuras

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Família que dominava o negócio de droga num pueblo de Espanha ameaçava a população caso fizessem queixa da falta de luz, que era recorrente. Polícia acabou com o esquema

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A falta de luz era cada vez mais recorrente em Sant Miquel de Fluvià, aldeia catalã com menos de 800 habitantes. Mas durante um ano e meio ninguém se atreveu a fazer queixa das sucessivas quebras de eletricidade que deixavam o pueblo às escuras. A população tinha medo.

Uma família local que detinha dez plantações de marijuana, que obrigavam a um grande consumo de energia, ameaçava verbalmente aqueles que se mostravam desagradados com os recorrentes 'apagões'.

Mas as falhas elétricas, mais regulares nos meses de inverno, despertaram a atenção das autoridades que começaram a suspeitar que na aldeia de Girona se produzia marijuana em quantidades industriais. E há poucos dias, a Polícia Nacional e a Agência Tributária espanholas realizaram uma megaoperação que levou à prisão de dez pessoas, quase todas da mesma família.

O esquema estava a tomar grandes proporções: a marijuana plantada em Sant Miquel de Fluvià era depois distribuída entre a Catalunha e o sul de França. Para aumentar a produção, o clã adquiriu nos últimos meses dezenas de casas, num raio de 300 metros à vivenda onde residia, para garantir que controlavam a produção e o tráfico sem a presença de estranhos. Algumas estavam protegidas por "guardadores" (seguranças) e outras por cães de raças consideradas perigosas.

O alcaide Angel Posas revelou ao "El País" que a fonte de alimentação das plantações era proveniente da rede elétrica, através de 'puxadas' ilegais. O consumo de equipamentos de refrigeração e iluminação era tão elevado que os moradores não conseguiam usar os eletrodomésticos durante a noite. Muitos dos 'apagões' repetiram-se no início de janeiro, altura em que as temperaturas eram mais baixas.

Este não é no entanto um caso isolado em Espanha. Em dezembro, o "El Mundo" deu conta de uma situação semelhante no bairro de Molino Nuevo, em Granada.