Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Novo Governo na Gâmbia. Principais ministros prestam juramento

Adama Barrow, quando regressou do Senegal à Gâmbia, onde se tinha refugiado.

Andrew Renneisen/Getty Images

Por nomear estão ainda oito ministros, cujos nomes não são conhecidos. Novo presidente só regressou do exílio há cerca de uma semana, mas já ordenou aos serviços secretos do país, considerados “um instrumento de repressão brutal”, para pararem de prender e deter cidadãos e respeitarem os direitos humanos

Helena Bento

Jornalista

Menos de uma semana depois de Adama Barrow, o novo chefe de Estado da Gâmbia, ter regressado ao país para assumir a presidência, dez dos novos 18 ministros que vão integrar o Governo prestaram juramento.

Adama Barrow venceu as eleições presidenciais de 1 de dezembro, mas o anterior presidente do país, Yahya Jammeh, que esteve no poder 22 anos, a que acedeu através de um golpe de Estado, recusou-se a abandonar a presidência. Ordenou inclusivé ao exército que invadisse a sede da comissão eleitoral e contestou os resultados eleitorais junto do Supremo Tribunal.

Só ao fim de quase dois meses, a 21 de janeiro, o ex-presidente aceitou passar o testemunho ao seu sucessor, após várias negociações com mediadores e sob a ameaça de uma intervenção militar regional. “A minha decisão de hoje não foi impulsionada por outra coisa que não o interesse supremo do povo gambiano e do nosso querido país”, sublinhou então Jammeh. “Numa altura em que assistimos a problemas e medos em outras partes de África e do mundo, a paz e a segurança da Gâmbia é a nossa herança coletiva que devemos zelosamente proteger e defender”, acrescentou. Adama Barrow, que se encontrava exilado no Senegal, pôde então regressar ao país.

De perseguidos a ministros

Entre os ministros que prestaram juramento encontram-se Ousainou Darboe, ex-membro da oposição ao regime de Jammeh (chegou, aliás, a enfrentar o ex-presidente, em quatro ocasiões, na corrida à presidência do país, tendo sido mais tarde detido e condenado a três anos de prisão pela alegada participação num protesto não autorizado) e Mai Fatty, advogado que defendeu várias figuras da oposição antes de partir para o exílio e fundar o seu próprio partido dissidente em 2009, tendo regressado à Gâmbia em 2011. Darboe prepara-se agora para assumir a pasta dos Negócios Estrangeiros e Mai Fatty foi nomeado pelo novo presidente para o cargo de ministro do Interior.

Quem também prestou juramento foi Amadou Sanneh, antigo secretário do Tesouro da principal força da oposição, que foi igualmente condenado a cinco anos de prisão em 2013, depois de ter escrito uma carta aberta em que alegava que dois membros da oposição corriam risco de vida e que, por isso, deviam ser autorizados a abandonar o país em segurança. Sanneh vai agora liderar o Ministério das Finanças da Gâmbia, depois de lhe ter sido concedido um perdão presidencial na segunda-feira. Fatoumata Jallow-Tambajang, antiga ministra do Governo de Yahya Jammeh, vai assumir o cargo de vice-presidente. Foi ela quem, antes das eleições de 1 de dezembro, conseguiu convencer os vários partidos da oposição a juntarem-se para eleger um candidato à corrida presidencial.

Por nomear estão oito ministros. Os seus nomes ainda não são conhecidos. “Os restantes membros que vão integrar o Governo serão escolhidos com base nas suas capacidades, experiência e profissionalismo”, disse Halifa Sallah, porta-voz de Adama Barrow, citado pela AFP.

Outra das grandes novidades da nova presidência foi a alteração do nome dos serviços secretos de National Intelligence Agency (NIA) para State Intelligence Services (SIS). A mudança do nome revela uma outra mudança mais estrutural, ao nível do funcionamento da agência, considerada “um instrumento de repressão brutal no país” durante a antiga presidência. Os serviços secretos do país, lê-se num comunicado divulgado na terça-feira e citado pela AFP, estão “agora impedidos de prender e deter cidadãos, e de conduzir atividades consideradas inconstitucionais, sobretudo no que diz respeito aos direitos humanos”.