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Marine Le Pen quer taxar contratos de trabalho com estrangeiros

BENOIT TESSIER / Reuters

A proposta insere-se no que a candidata presidencial francesa de extrema-direita designa como uma “prioridade nacional”

A candidata da extrema-direita às presidenciais francesas Marine Le Pen defende a criação de um imposto para os contratos de trabalho com estrangeiros, numa entrevista publicada estq quinta-feira pelo jornal "Le Monde". A receita gerada por esse imposto pode ser utilizada para indemnizar os desempregados, explica a líder do partido Frente Nacional.

A proposta insere-se no que Le Pen designa como "prioridade nacional" e quer aplicar se for eleita nas presidenciais de abril e maio. No mesmo sentido, Le Pen diz ao diário que pretende taxar as importações de bens e serviços com uma "contribuição social" de 3%, imposto com o qual prevê recolher "no mínimo 15.000 milhões de euros" e que, assegurou, não terá impacto significativo no poder de aquisição dos consumidores.

"A base de tudo isto é o patriotismo, ou seja, cada medida e cada euro gasto têm como vocação defender o interesse dos franceses", diz a candidata, que as sondagens dão como certa na segunda volta das presidenciais.

Marine defende "um protecionismo inteligente", de "luta contra as deslocalizações selvagens", e congratula-se com a declaração do novo Presidente dos Estados Unidos, no discurso de tomada de posse, da "morte do ultraliberalismo".

"Donald Trump foi eleito por promessas que está a aplicar. Esse respeito pelos eleitores devia ser um modelo para todos os políticos", diz a líder da extrema-direita, frisando contudo não ter como referência nem estar "fascinada" pelos Estados Unidos, como não o está pela Alemanha ou pela Rússia.

Sobre o seu programa eleitoral, que vai apresentar este fim de semana em Lyon (sudeste), Marine Le Pen repete que quer tirar França da União Europeia (UE). "Irei imediatamente a Bruxelas para negociar o regresso das quatro soberanias: monetária, legislativa, orçamental e territorial. E seis meses depois das eleições, organizarei um referendo sobre a saída da UE", garante.

A candidata manifesta-se convicta de que essa sua medida vai desencadear "um movimento", a que se vão juntar vários países, para "obter a anulação de regras e tratados que prejudicam a sua segurança ou a sua economia".

Investigada por alegado uso indevido de 340.000 euros dos fundos que recebeu como eurodeputada, Marine assegura que não sairá da corrida presidencial se vier a ser formalmente acusada. "Um juiz decidir quem é e quem não é candidato, é o fim da democracia", diz.