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Holanda vai contar votos das legislativas à mão para impedir interferências externas

REMKO DE WAAL/ AFP/ Getty Images

Autoridades holandesas querem evitar na ida às urnas convocada para março um novo escândalo de ciberataques como o que atingiu as eleições presidenciais dos EUA. Geert Wilders, líder da extrema-direita, continua a liderar as sondagens de opinião

As autoridades holandesas vão contar os votos das eleições gerais do próximo mês à antiga, leia-se à mão, como forma de contornar o "vulnerável" software usado na contagem e assim impedirem ciberinterferências de qualquer espécie no plebiscito, anunciou esta quarta-feira o ministro do Interior. "Não posso excluir a possibilidade de atores estatais tentarem beneficiar [das eleições] influenciando decisões políticas e a opinião pública na Holanda", disse Ronald Plasterk numa carta enviada ao Parlamento na quarta-feira.

As legislativas holandesas acontecem a 15 de março e marcam o início de um importante ano de eleições em vários países da Europa, que estarão a ser acompanhadas com redobrada atenção perante a subida do populismo e da extrema-direita no continente. Geert Wilders, líder do Partido da Liberdade (PVV), a extrema-direita holandesa, continua a liderar as sondagens de opinião para esse voto, apesar de ter sido julgado e condenado a pena de prisão suspensa por discurso de ódio contra marroquinos há menos de cinco meses.

As autoridades holandesas estão em alerta perante alegações de que hackers russos ligados ao governo de Vladimir Putin interferiram nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, que em novembro firmaram a vitória do populista Donald Trump, que se candidatou pelo Partido Republicano. Ao Parlamento, Plasterk disse temer "as vulnerabilidades do software" usado pela comissão eleitoral do país na contagem de votos, que "levantam questões sobre se as próximas eleições podem vir a ser manipuladas".

Na carta enviada aos deputados, o responsável pela segurança interna sublinhou que "não pode haver sombra de dúvida quanto aos resultados" das legislativas, que alguns analistas preveem que irão conduzir a uma coligação de cinco partidos. Por essa razão, o ministério que dirige e a comissão eleitoral decidiram "calcular os resultados com base numa contagem manual". Em entrevista à RTL, Plasterk não excluiu a possibilidade de interferência de atores externos no plebiscito, incluindo a Rússia. "Temos indicações de que os russos podem estar interessados, pelo que nas próximas eleições temos de nos apoiar no papel e caneta à antiga."

Atualmente, o sistema de contagem de votos na Holanda é eletrónico apesar de os cidadãos votarem como sempre, com uma cruz no candidato que preferem, à mão, em boletins que são depois depositados nas urnas. Dentro de um mês, cerca de 12,6 milhões de holandeses serão chamados a eleger a próxima câmara baixa do Parlamento, composta por 150 assentos, e consequentemente o seu futuro governo. Mais de 30 partidos já se registaram para poderem apresentar candidatos a estas eleições. A comissão eleitoral vai anunciar na sexta-feira quantos desses poderão candidatar-se.

De acordo com a mais recente sondagem de opinião, divulgada ontem, o PVV de Wilders continua em primeiro lugar, à frente do Partido Liberal (VVD) do primeiro-ministro Mark Rutte, que segue em segundo. De acordo com essas previsões, Wilders vai angariar entre 27 e 31 assentos e o VVD entre 23 e 27, ambos sem alcançarem o limite mínimo de 76 deputados para poderem governar sozinhos.