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Internacional

EUA admitem morte de civis durante ataque no Iémen  

AFP/Getty Images

As autoridades do Iémen apontam para a existência de 16 civis mortos, contudo o Comando Central do exército norte-americano recusa-se a confirmar esse número

Um ataque dos EUA no Iémen terá causado no domingo a morte de civis, incluindo crianças, anunciou o Comando Central do exército norte-americano (CENTCOM).

“Uma equipa designada pelo comandante da força operacional concluiu infelizmente que civis não combatentes foram provavelmente mortos num tiroteio durante um ataque no Iémen a 29 de janeiro. Os mortos podem incluir crianças”, afirmou o CENTCOM em comunicado, citado pela Al-Jazeera.

O ataque ocorreu na província de Bayda, situada a cerca de 200 quilómetros da capital Sana, tendo os civis aparentemente morrido quando um avião norte-americano foi chamado para auxiliar os comandos, numa altura em que decorria o ataque em que o exército norte-americano disse ter morto 14 membros da Al-Qaeda na Península Arábica.

O balanço das autoridades do Iémen aponta para a existência de 16 vítimas civis (oito mulheres e oito crianças), no entanto, o Comando Central do exército norte-americano recusou-se a confirmar esse número.

No primeiro ataque autorizado por Donald Trump no Iémen, a 29 de janeiro, morreu também uma menina norte-americana, de 8 anos, segundo o exército norte-americano. A criança era filha de Anwar al-Awlaqi, um antigo líder da Al-Qaeda que morreu em 2011 na sequência de um ataque aéreo.

De acordo com o porta-voz do CENTCOM, a operação militar estava a ser preparada “há vários meses” pela administração de Barack Obama, mas só obteve a aprovação com Donald Trump. “A Al-Qaeda na Península Arábica tem uma horrível prática de esconder mulheres e crianças dentro de áreas operacionais e campos terroristas, o que mostra um insensível desprezo contínuo por vidas inocentes. É isso que torna esses casos tão trágicos”, afirmou ao “Guardian” o coronel John Thomas.

Recorde-se que, durante a campanha presidencial, Trump chegou a defender que era necessário matar os familiares de terroristas para combater o terrorismo. “Estamos a lutar numa guerra politicamente correta. Com os terroristas, temos de atingir as suas famílias. Eles ligam às suas vidas, não nos iludamos. Dizem que não se importam com as suas vidas, mas temos de eliminar as suas famílias”, disse o então candidato republicano, em declarações à Fox News, em dezembro de 2015.

O Presidente norte-americano deslocou-se esta quarta-feira à base da Força Aérea em Dover, no estado norte-americano de Delaware, para se juntar às cerimónias fúnebres de William Owens, o primeiro militar norte-americano morto durante uma operação no Iémen autorizada por Trump.