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Internacional

Marine Le Pen deixa passar prazo para devolver mais de €300 mil ao Parlamento Europeu

YVES HERMAN/REUTERS

Líder da extrema-direita francesa é acusada de uso indevido de fundos mas diz estar a ser vítima de uma vingança política dentro da câmara legislativa da União Europeia. Se a candidata às presidenciais de França não pagar o que deve, o PE vai tirar-lhe metade do salário e outros subsídios

O prazo para Marine Le Pen, a líder da extrema-direita francesa, devolver ao Parlamento Europeu (PE) mais de 300 mil euros que terá usado indevidamente terminou na madrugada desta quarta-feira, com a eurodeputada e candidata às presidenciais francesas deste ano a garantir que não vai pagar esse valor ao braço legislativo da União Europeia.

O PE acusa-a de usar os fundos para pagar a uma assessora que trabalha na sede da Frente Nacional, o seu partido, em Paris. Le Pen, pelo contrário, diz estar a ser vítima de uma vingança politicamente motivada. Se não pagar o que deve, o Parlamento promete reter metade do seu salário enquanto eurodeputada e suspender-lhe outros subsídios. "Não vou render-me à perseguição, a uma decisão unilateral tomada por opositores políticos", garantiu esta terça-feira à agência Reuters, horas antes de o prazo terminar à meia-noite.

Le Pen é acusada de usar os fundos parlamentares para pagar o salário de Catherine Griset, sua amiga próxima e chefe de gabinete. O dinheiro só poderia ser usado para pagar o vencimento de Griset se esta passasse grande parte do seu tempo em Bruxelas e Estrasburgo, como todos os funcionários eleitos e não eleitos do Parlamento Europeu. Pelo contrário, aponta uma comissão do PE que investigou a utilização dos fundos, Griset passou grande parte do seu tempo a trabalhar na sede da Frente Nacional em França.

Neste momento, a líder da extrema-direita francesa continua a liderar as sondagens para as presidenciais, que serão disputadas entre abril e maio. De acordo com os últimos inquéritos de opinião, Le Pen deverá passar à segunda volta e disputá-la ou com o candidato centrista Emmanuel Macron, que em agosto abandonou o cargo de ministro da Economia do Governo socialista de François Hollande para se candidatar às presidenciais, ou com o conservador François Fillon.

Na segunda-feira, logo depois de aparecer em segundo lugar na última sondagem do "Le Fígaro", Fillon foi interrogado pela polícia francesa por suspeitas de uso indevido de fundos públicos, que terá desviado para pagar salários fictícios à mulher e também aos dois filhos.