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Israel autoriza construção de três mil novas casas na Cisjordânia 

MENAHEM KAHANA

Desde que Trump tomou posse, Israel anunciou a construção de mais de seis mil fogos na Cisjordânia e em Jerusalém-Leste

Israel iniciou esta quarta-feira a evacuação de um colonato emblemática na Cisjordânia, mas anunciou em compensação a construção de mais habitação neste território palestiniano ocupado, no que é a quarta decisão semelhante desde a investidura de Donald Trump.

Desde que o novo Presidente norte-americano tomou posse, no passado dia 20 de janeiro, Israel anunciou a construção de mais de seis mil fogos na Cisjordânia e em Jerusalém-Leste, anexada e ocupada.

O anúncio da construção de mais três mil fogos de habitação na passada noite de terça-feira surge aos olhos da opinião pública como uma compensação pela retirada dos colonos em Amona, poucas horas antes da chegada ao local de centenas de polícias para procederem à evacuação do colonato.

Os agentes da polícia subiram em fila indiana, a pé e aparentemente sem armas, a colina onde se encontra Amona, junto a Ramallah, com o propósito de evacuarem os 200 a 300 residentes.

No centro de uma batalha política e legal que dura há vários anos, o colonato de Amona foi condenado à demolição por decisão do Supremo Tribunal israelita, que o considerou ilegal à luz do direito israelita por ter sido construído em terrenos privados palestinianos.

A comunidade internacional não faz distinção entre os colonatos instalados em território palestiniano ocupado, considerando-os todos ilegais.

O Supremo Tribunal deu às autoridades israelitas até 8 de fevereiro para evacuar Amona. Na terça-feira passada, as autoridades deram ordem de saída aos colonos no prazo de 48 horas.

Os 200 a 300 habitantes que ainda permanecem em Amona recusaram sempre partir por vontade própria, acenando bem alto o argumento mais caro aos defensores dos colonatos, de que toda a Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967, pertence à terra bíblica de Israel. Esta terça-feira manifestaram-se traídos pelo próprio Governo.

Rivka Lafair, 19 anos, nascida em Amona, afirmou à agência France Presse estar "triste e com raiva". "Os destruidores do povo judeu estão no seu próprio seio", afirmou, numa alusão ao Governo e manifestando a determinação de permanecer em Amona com o seu marido até ao último minuto possível por não terem para onde ir.

A maior parte dos habitantes, a viver em algumas dezenas de habitações prefabricadas tornadas permanentes, prometeram resistir, mas sem violência.

Dezenas de adolescentes de colonatos vizinhos subiram a colina de mochilas às costas e instalaram barreiras para impedirem a passagem dos polícias e ajudarem na oposição à evacuação, em nome da soberania israelita que proclamam.

Os agentes da polícia não enfrentaram, entretanto, qualquer resistência física, além de algumas pedras atiradas por adolescentes.

Moti Yogev, deputado e um dos defensores mais aguerridos dos colonos, deslocou-se a Amona para reconfortar os seus habitantes: "Sim, Amona vai ser destruída, mas vamos construir mais 3 mil fogos", disse o deputado da Casa Judaica, partido parceiro da coligação governamental de Benjamin Netanyahu, uma das mais à direita da história de Israel.

"Construímos e vamos continuar a construir", prometeu o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que não tem escondido que a presidência de Trump representa uma "hipótese formidável" depois das "pressões enormes" da administração Obama sobre os colonatos e sobre o Irão.

"Entrámos num período novo de regresso à normalidade [na Cisjordânia] e oferecemos a resposta mais conveniente às necessidades quotidianas da população", declarou na noite na terça-feira o ministro da Defesa israelita, Avigdor Lieberman, citado pelos seus serviços, ao anunciar a construção de mais três mil novas casas na Cisjordânia, onde cerca de 400 mil colonos israelitas já vivem.

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