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“França já não tem quaisquer fronteiras por causa da UE”: Marine Le Pen elogia medida anti-imigração de Trump

Sylvain Lefevre/Getty Images

“É uma medida temporária que tem como alvo seis ou sete países, os quais são claramente responsáveis por ameaças terroristas”, declarou a líder da Frente Nacional, partido de extrema-direito francês

A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, em entrevista exclusiva à CNN, enalteceu o decreto assinado por Donald Trump que proíbe temporariamente a entrada nos EUA de imigrantes provenientes de sete países de maioria muçulmana (Iraque, Irão, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iémen) e suspende a admissão de todos os refugiados durante 120 dias. A medida em questão tem sido alvo de várias críticas por vários chefes de Estado. No entanto, na visão de Le Pen, a “maior parte das reações são de má-fé”.

A candidata às presidenciais francesas considera que Trump adotou esta diretiva “porque quer definir critérios e condições para evitar que potenciais terroristas deem entrada nos Estados Unidos, onde poderão cometer ataques”, aludindo ainda aos que vitimaram centenas de pessoas em França.

Quando questionada sobre se iria impor uma medida semelhante em França, Le Pen esquivou-se a responder, referindo apenas que o país tinha de ser “muito vigilante” e proteger as suas fronteiras. Mas apesar de ser a favor do cessar do fluxo de imigrantes que chegam à França, a eurodeputada afirmou que não vai copiar Trump na construção de muros nas fronteiras francesas.

Não obstante, Le Pen garante que, se chegar ao poder, logo nos primeiros seis meses vai fazer um referendo, à semelhança do que aconteceu no Reino Unido, para saber a opinião popular em relação à permanência na União Europeia.

A líder da Frente Nacional mostrou-se ainda a favor da política contra o comércio livre, a qual, na sua visão, “conduziu a um desastre”. “Vejo que estas ideias estão a ser implementadas pelo Reino Unido, na sequência do referendo, e penso que, dada a eleição de Donald Trump, as pessoas estão a pedir o fim desta globalização selvagem e anárquica. Estamos a caminhar para um maior patriotismo e para a preservação da cultura e dos empregos locais”, assegurou.

A candidada de extrema-direita comentou que as medidas tomadas por Trump nos primeiros dias na presidência dos EUA não a surpreenderam. “Ele foi eleito e disse que iria fazer isto. E agora o mundo parece que está escandalizado porque Trump está a implementar o que prometeu durante a sua campanha”, concluiu.

Também na entrevista à CNN, Le Pen negou as alegações do Parlamento Europeu de que deixou passar o prazo para pagar 300 mil euros de fundos usados indevidamente pela eurodeputada para pagar a uma assistente sua que trabalhava diariamente na sede da Frente Nacional, em Paris. A eurodeputada sublinhou que se recusa a devolver o dinheiro e que tudo se trata “de um ataque político”. O parlamento já respondeu, anunciando que vai retirar dinheiro do salário que paga a Le Pen.

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