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Internacional

Morre mais um refugiado num campo na Grécia

DANIEL MIHAILESCU/GETTY

Um cidadão paquistanês foi encontrado morto num campo de refugiados em Lesbos. É a terceira vítima registada numa semana

Várias organizações não-governamentais (ONG) estão a alertar para a falta de condições nos campos de refugiados gregos, depois de ter sido encontrado morto mais um migrante em Lesbos, o terceiro no espaço de uma semana.

A última vítima é um cidadão paquistanês, com cerca de 20 anos, encontrado morto numa tenda no campo de refugiados de Moria, em Lesbos. Outro migrante que partilhava a tenda com o cidadão paquistanês foi hospitalizado, encontrando-se neste momento em estado crítico, segundo os media locais.

Desconhecem-se ainda as causas da morte, mas há suspeitas de que terá estado na sua origem uma intoxicação por monóxido de carbono. Devido ao inverno rigoroso, os migrantes são obrigados a aquecer-se com aquecedores e fornos a lenha em tendas exíguas, alertam várias ONG.

A Human Rights Watch classifica a situação dos campos de refugiados gregos como “deplorável e volátil”, enquanto os Médicos do Mundo advertem que os migrantes enfrentam “sérios riscos” de vida, refere a BBC. Também a secção portuguesa da Amnistia Internacional alertou para o facto de milhares de refugiados correrem o risco de morrer de frio nas ilhas gregas, lançando uma iniciativa de recolha de assinaturas no âmbito da campanha “Eu Acolho.”

Na semana passada, foram encontradas mais duas pessoas mortas no mesmo campo de refugiados em Lesbos: um egípcio, de 22 anos, e um sírio, de 46 anos. Nesta altura, ainda está a decorrer um inquérito — solicitado pelo ministro da Imigração grego, Yannis Mouzalas — para apurar as causas das mortes, mas as autoridades acreditam que terão sido também provocadas pela inalação de monóxido de carbono.

“Mais medidas serão tomadas para tornar a situação mais gerível”, garantiu o governante à Athens News Agency.

Uma bebé de dois meses também faleceu na semana passada no campo de refugiados de Ritsona, situado no norte da capital grega. A família queixa-se da falta de atendimento médico, uma vez que a criança sofria de fibrose quística e problemas respiratórios. No entanto, as autoridades afirmam que os pais não respeitaram a ordem dos médicos, levando de volta a bebé para o campo de refugiados.

Estima-se que mais de 60 mil migrantes se encontrem nesta altura alojados em campos de refugiados na Grécia, dos quais cinco mil estão apenas na ilha de Lesbos. A maioria é oriunda da Síria, Iraque ou Afeganistão e fugiram dos seus países devido a situações de conflito e pobreza.